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Ações da MRV (MRVE3) recuam após 1T26 ‘fraco e abaixo do esperado’; o que pesou no balanço, segundo analistas

12 maio 2026, 11:17 - atualizado em 12 maio 2026, 11:17
MRV
Ações da MRV (MRVE3) recuam após 1T26 'fraco e abaixo do esperado'; o que pesou no balanço, segundo analistas (Imagem: Divulgação)

As ações da MRV&Co (MRVE3), grupo que reúne as marcas MRV Incorporação, Resia, Urba e Luggo, operam no campo negativo nesta terça-feira (12) em reação ao balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26). Entre analistas, a leitura é de que os números vieram “fracos e abaixo das expectativas”.

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Por volta das 10h20 (horário de Brasília), os papéis recuavam aproximadamente 4% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 6,10. Acompanhe o tempo real.



Entre janeiro e março, o conglomerado registrou prejuízo líquido de R$ 77,6 milhões, uma perda 78% menor em relação à apurada em igual período de 2025, mas ainda abaixo das projeções do Bradesco BBI, que esperava lucro de R$ 12 milhões.

No critério ajustado (que exclui instrumentos financeiros sem efeito direto no caixa), o resultado foi um prejuízo de R$ 14,4 milhões, montante 94,5% menor na mesma base de comparação anual.

De acordo com analistas, a melhora no prejuízo consolidado foi puxada pela principal divisão de negócios do grupo, a MRV Incorporação, voltada à atividade imobiliária. As demais operações, entretanto, ficaram no vermelho.

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MRV Incorporação sustenta resultado

A MRV Incorporação, que possui foco no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), teve lucro ajustado de R$ 132,8 milhões no 1T26, um aumento expressivo em relação aos R$ 18 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Aqui, a receita líquida bateu em R$ 2,56 bilhões, alta anual de 17,6%, impulsionada pelo crescimento de lançamentos e vendas, o que contribuiu para diluição de custos.

Além disso, a companhia também subiu em 4,4% o preço médio de comercialização dos imóveis, que chegou a aproximadamente R$ 270 mil.

A margem bruta da divisão de incorporação ficou em 31% nos primeiros três meses de 2026, crescimento de 3,7 pontos percentuais em um ano, mas estável na comparação trimestral.

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Outros negócios

No caso das outras frentes, a Resia, subsidiária da MRV&Co nos Estados Unidos (EUA), registrou prejuízo líquido de US$ 15,8 milhões no 1T26, contra uma perda de US$ 45,6 milhões no começo de 2025.

A unidade, cabe lembrar, está passando por um desmonte, com a previsão de vender US$ 800 milhões em terrenos e empreendimentos prontos, dos quais US$ 241 milhões já foram alienados.

Segundo o BBI, o prejuízo líquido do negócio norte-americano veio em linha com o esperado, enquanto a geração de caixa, que somou US$ 62 milhões no trimestre, contra a queima de US$ 63,9 um ano antes, foi sustentada justamente pelas vendas desses ativos.

As outras duas empresas do grupo também ficaram no vermelho: a Luggo, de locação residencial, registrou perdas de R$ 14 milhões, enquanto a loteadora Urba reportou prejuízo de R$ 13,4 milhões.

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Na visão do banco de investimento do Bradesco, a Urba foi impactada por sazonalidade e maior volume de distratos, enquanto a Luggo, apesar do resultado, apresentou leve melhora sequencial e avanço operacional.

Endividamento segue no radar

Considerando as operações no Brasil (MRV, Luggo e Urba), a MRV&CO fechou o 1T26 com dívida líquida de R$ 2,49 bilhões, queda de 2,2% na comparação com o 4T25. A alavancagem caiu para 41,2%, de 41,8%.

Na operação dos Estados Unidos (Resia), a dívida líquida atingiu US$ 676 milhões, baixa de 2,7%. A subsidiária, porém, está com patrimônio líquido negativo pela primeira vez, no montante de US$ 32 milhões.

Melhora à vista?

O Bradesco BBI avalia que há expectativa de avanço gradual dos resultados a partir do 2T26, com normalização do ritmo de produção e transferências, o que deve favorecer tanto a expansão de margem quanto a geração de caixa.

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“A MRV Incorporação tende a se beneficiar de uma melhora sequencial da margem bruta, enquanto a Resia segue executando o seu plano de desinvestimentos, já somando US$ 241 milhões dentro da estratégia total de US$ 800 milhões, como vetor central de desalavancagem”, afirmou o banco.

De acordo com a casa, embora a ação MRVE3 apresente indicadores pouco exigentes, em torno de 0,6 vez o múltiplo P/VP e 3,3 vezes o P/L estimado para 2027, a sustentação desse valuation depende da confirmação operacional ao longo dos próximos meses.

“A tese permanece condicionada à execução consistente, especialmente na recomposição de margens e redução da dívida. Mantemos uma postura cautelosa no curto prazo [para a companhia], acompanhando de perto a evolução de caixa e disciplina financeira.”

O que diz o BTG Pactual

Na mesma linha, o BTG Pactual avaliou o 1T26 da MRV&Co como “fraco e abaixo das expectativas”, destacando pressão nas operações brasileiras e desempenho ainda frágil nos EUA.

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Em relatório, o banco afirmou que projetava um prejuízo líquido consolidado de R$ 71 milhões para o grupo — ante os R$ 78 milhões reportados —, devido a menores receitas e maiores despesas financeiras.

No caso da unidade norte-americana, a casa pontuou que a dívida líquida da Resia se manteve elevada, em cerca de US$ 676 milhões, com “redução de apenas US$ 19 milhões em relação ao trimestre anterior”.

Quanto à frente no Brasil, o BTG destacou que houve, nos primeiros três meses de 2026, um desempenho mais fraco do que o esperado.

“Esperamos uma reação negativa do mercado, principalmente porque as margens nas operações do MCMV, um ponto-chave que os investidores têm monitorado, caíram contra o trimestre passado e ainda se mantêm abaixo das dos concorrentes. Além disso, a empresa não conseguiu reduzir o endividamento”, afirmou.

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“Acreditamos que a MRV pode enfrentar ainda um caminho difícil antes de uma recuperação completa, mas mantemos a nossa recomendação de compra para as ações, dado o forte impulso do programa MCMV e o grande potencial de valorização assim que os resultados normalizarem”, prosseguiu.

O preço-alvo para os papéis é de R$ 12, o que indica potencial de valorização de 97% frente à cotação atual.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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