Oportunidade perdida e queda das criptomoedas: Como o mercado reagiu ao bloqueio do Clarity Act
O mercado de criptomoedas teve o seu momento “água no chope” na última terça-feira (15). O Senado norte-americano barrou o avanço da lei de clareza regulatória do setor, o chamado Clarity Act.
O placar da votação foi apertado: 50 a 49 para restringir o avanço da legislação. Analistas e operadores do mercado esperavam apoio dos Democratas, tendo em vista que os Republicanos ocupam 53 cadeiras e precisariam fazer acordos para garantir a maioria simples de 51 votos.
Apesar da maioria Republicana, há uma divisão interna no partido entre os apoiadores e opositores do presidente. Portanto, já estava na conta da senadora Cynthia Lummis, principal voz a favor da aprovação do projeto, a necessidade do apoio democrata.
O ponto mais polêmico dizia respeito ao lucro de figuras públicas envolvendo criptomoedas. Mais especificamente, os Democratas citaram os recentes ganhos do presidente americano, Donald Trump, com ativos digitais — citando exemplos como o lançamento do Official Trump (TRUMP) e da stablecoin da World Liberty, de uma empresa ligada à família Trump.
Assim, embora alguns democratas sejam favoráveis à indústria e apoiem a ideia de regulamentação, os parlamentares têm sido exigentes em pedir que o projeto inclua fortes salvaguardas éticas para impedir que o presidente e sua família enriqueçam enquanto ele está na Casa Branca.
Reação do mercado de criptomoedas ao Clarity Act
Segundo Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin, a importância do projeto vai além da organização regulatória.
Um marco legal mais claro pode facilitar a entrada de novos participantes institucionais, ampliar a liquidez do mercado e estimular o desenvolvimento de novos produtos financeiros baseados em ativos digitais, segundo ele.
“O Clarity Act não representa um gatilho automático para uma alta do mercado. O que ele faz é construir a infraestrutura regulatória necessária para que investidores institucionais possam aumentar sua exposição aos ativos digitais com mais segurança jurídica”, explica.
Logo, a frustração das expectativas culminou na queda do mercado de criptomoedas nas últimas 24h. O bitcoin (BTC) começou o dia no vermelho, tentando sustentar o patamar psicológico de preços em US$ 75 mil.
Michael Saylor, presidente do Conselho de Administração da Strategy, afirmou no X que o “progresso não precisa esperar pelo Congresso”.
Já para Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil, o Congresso americano deixou passar a oportunidade de fazer “algo maior do que simplesmente regular uma classe de ativos”.
“[O Congresso poderia] estabelecer a arquitetura jurídica da próxima geração dos mercados financeiros dos Estados Unidos. Sem esse avanço, essa arquitetura continuará a ser definida gradualmente por reguladores, tribunais e, potencialmente, por outros mercados ao redor do mundo que vão avançar para estabelecer seus próprios padrões”, diz Sarandy.
Para o executivo da Binance, a indefinição de leis claras para o mercado de ativos virtuais, em qualquer país, gera insegurança jurídica para instituições financeiras e preocupação para o contingente crescente de usuários ao redor do mundo.
Consequentemente, há uma perda de oportunidade econômica potencial com a geração de renda e receita advinda da atividade deste setor, afirma o executivo.