Até quando deve ir a guerra no Oriente Médio e qual o limite para o preço do petróleo, na visão do BofA
Com a perspectiva de que a guerra no Oriente Médio deve durar pelo menos até o fim deste ano, o Bank of America (BofA) elevou a projeção para o barril do Brent de US$ 83 para US$ 95 em 2026.
“A continuidade das tensões geopolíticas até o final do ano é agora o cenário mais provável”, afirmaram os estrategistas do banco, em relatório divulgado nesta terça-feira (22).
Para eles, embora rotas alternativas e embarques escoltados pelo Estreito de Ormuz tenham mitigado parte do déficit, os danos à infraestrutura e o aumento das tensões geopolíticas tornam improvável uma rápida normalização, acrescentam
A equipe formada por Francisco Blanch, Tej Sathe, Rachel Wiser, Clifton White e Michael Widmer considera que a contínua redução dos estoques sustenta um preço médio do Brent em torno de US$ 80 por barril em 2027, mas a perspectiva está sujeita a uma eventual “expansão do risco extremo”.
“Os estoques estratégicos e comerciais estão se tornando progressivamente menores, enquanto os mercados físicos de petróleo bruto já sinalizam uma escassez aguda no curto prazo devido ao backwardation extremo”, diz o relatório.
- Para saber: Backwardation ocorre quando o preço atual à vista (spot price) de um ativo ou commodity é mais alto do que o seu preço negociado no mercado futuro
Os estrategistas do BofA também não descartam a possibilidade de o Brent superar a cotação de US$ 150 por barril até meados de 2027, se as interrupções no fornecimento da commodity continuarem ou se os danos à infraestrutura petrolífera se intensificarem, na tentativa de conter a demanda global do petróleo.
Choque estrutural
Para os estrategistas de commodities do BofA, as interrupções no fornecimento do óleo bruto devido aos ataques à infraestrutura energética e às restrições no fluxo através do Estreito de Ormuz e do Bab el-Mandeb estão se tornando um “choque estrutural” nos mercados globais.
Nas contas do banco, a redução do fluxo em Ormuz pode ter atingido um pico próximo a 1,4 milhão de barris por dia e, mais recentemente, apresentaram uma média de 4 a 8 milhões de barris por dia em comparação com os níveis pré-guerra.
Ao mesmo tempo, as paralisações de refinarias e a queda nas exportações do Oriente Médio e da Rússia, juntamente com as exportações chinesas de derivados ainda em baixa, apertaram drasticamente os mercados de combustíveis.
“De modo geral, os estoques globais de petróleo bruto e derivados estão se esgotando, as reservas estratégicas da OCDE já caíram substancialmente e o petróleo bruto físico está sendo negociado com grandes prêmios em relação aos contratos futuros de referência”, destacam os estrategistas.
Diante disso, “o choque energético está se espalhando cada vez mais para o ambiente macroeconômico mais amplo, por meio de maiores expectativas de inflação e rendimentos de títulos dos governos”, afirmaram no relatório.
A equipe do BofA destaca que a alta nos preços do Brent elevou as taxas de inflação de equilíbrio e contribuiu para um aumento de aproximadamente 100 pontos-base nos rendimentos soberanos de 10 anos nos principais mercados desenvolvidos.
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Por outro lado, o El Niño potencialmente forte pode disseminar a inflação de commodities, da energia para os produtos agrícolas.
“A economia global tem absorvido o choque surpreendentemente bem até o momento, sustentada por condições fiscais e monetárias frouxas, forte crescimento nominal do PIB e atividade industrial resiliente nos setores de defesa e inteligência artificial”, diz o banco.