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Plano&Plano (PLPL3) cai até 5% após prévia fraca do 3T26; distratos e queima de caixa pesam

15 out 2026, 11:55
Plano&Plano PLPL3 construtora construção civil
Plano&Plano (PLPL3) cai até 5% após prévia fraca do 3T26; distratos e queima de caixa pesam (Foto: Flávya Pereira/Money Times)

Negociadas fora do Ibovespa, as ações da construtora e incorporadora Plano&Plano (PLPL3) operam em forte queda nesta quinta-feira (15), no pregão seguinte à divulgação da prévia operacional do terceiro trimestre de 2026 (3T26). Entre os analistas, a avaliação é de que os números vieram fracos, principalmente devido ao aumento dos distratos e à queima de caixa.

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Por volta das 11h (de Brasília), os papéis recuavam aproximadamente 5% na bolsa de valores, negociados a R$ 7,82, em um dia também negativo para o mercado de renda variável.

No mesmo horário, o IMOB, indicador que acompanha o desempenho das ações mais negociadas do setor imobiliário brasileiro, perdia 1,5%, aos 1.585 pontos. Acompanhe aqui o movimento em tempo real.



O 3T26 da Plano&Plano

Entre julho e setembro, a Plano&Plano lançou cinco empreendimentos que totalizaram 3.819 unidades e R$ 1,06 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV). O montante representa recuo de 50% na comparação anual, mas crescimento de 29,5% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

As vendas brutas da companhia, por sua vez, somaram R$ 1,03 bilhão no 3T26, queda de 6,8% frente ao 3T25, enquanto o índice VSO dos últimos 12 meses, que mede a velocidade de comercialização, ficou em 48,6%, redução de 3,2 pontos percentuais em relação ao registrado no 2T26.

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Segundo analistas do Bradesco BBI, o principal destaque negativo foi o aumento dos distratos, que atingiram 25,1% das vendas brutas, ou R$ 260 milhões, envolvendo 1.012 unidades. O montante representa alta de 304,8% em relação ao terceiro trimestre de 2025.

No mercado imobiliário, distrato é o cancelamento de uma venda já realizada, geralmente quando o comprador não consegue concluir o financiamento, desiste da aquisição ou não atende às condições exigidas para o repasse do imóvel.

Quando isso acontece, a venda retorna ao estoque da incorporadora e deixa de compor o resultado comercial líquido.

Com o aumento dos cancelamentos, as vendas líquidas da Plano&Plano entre julho e setembro recuaram 24% em base anual, para R$ 775,3 milhões.

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Além disso, outro ponto negativo destacado pelo BBI foi a queima de caixa operacional da empresa, que somou R$ 116 milhões no 3T26, ante consumo de R$ 94,5 milhões no 2T26.

De acordo com o banco, o consumo refletiu atrasos nos repasses da Caixa Econômica Federal (CEF) e do programa Pode Entrar, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, enquanto os cancelamentos estão relacionados à maior participação de clientes com renda informal no mix de vendas.

De fato, a participação dos compradores com renda informal nas vendas brutas da Plano&Plano saltou de 8,1% em 2022/2023 para 21,5% em 2025/2026.

Nesses casos, a aprovação do financiamento costuma depender da entrega da declaração do Imposto de Renda, o que prolonga o intervalo entre a assinatura do contrato e o repasse dos recursos pelo banco.

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Depois do encerramento da temporada de declarações, os clientes que ainda não conseguiram aprovação passam por uma etapa de retenção e renegociação. Quando não há viabilidade para concluir a operação, ocorre o distrato.

A Plano&Plano ressaltou, porém, que esse movimento costuma se concentrar sazonalmente no terceiro trimestre.

“A prévia do 3T26 trouxe resultados fracos, pressionados por cancelamentos elevados e consumo de caixa, o que deve gerar uma reação levemente negativa do mercado”, afirmou o Bradesco BBI.

“Contudo, destacamos que os atrasos de repasses e aprovações afetam o setor de baixa renda como um todo, não sendo um problema exclusivo da empresa. A ação PLPL3 negocia a um múltiplo atrativo de 4,5 vezes o P/L para 2027, o que sustenta nossa recomendação de compra”, acrescentou.

O que diz o Itaú BBA

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Na mesma linha, os analistas do Itaú BBA avaliaram que a construtora apresentou resultados operacionais mais fracos do que o esperado no 3T26, principalmente em razão da forte queima de caixa e do aumento dos cancelamentos.

Segundo o banco, a deterioração das vendas no segmento do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), foco da Plano&Plano, era esperada, diante dos critérios mais rigorosos para a aprovação de financiamentos e da greve na Caixa.

Quanto à queima de caixa, a casa afirmou que a companhia registrou consumo (excluindo cessão de recebíveis) de R$ 153 milhões, ante expectativa de geração de R$ 50 milhões.

O Itaú ressaltou, porém, que a empresa ainda tem R$ 25 milhões em recebíveis pendentes do programa Pode Entrar e outros R$ 30 milhões em repasses de financiamentos imobiliários do MCMV, em razão de atrasos relacionados à greve na Caixa, que devem ser refletidos nos próximos meses.

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“Admitimos que a perspectiva para incorporadoras de baixa renda é menos favorável do que em anos anteriores. No entanto, acreditamos que os resultados do 3T26 foram parcialmente afetados por fatores pontuais e que a velocidade de vendas deve se estabilizar em níveis mais saudáveis ​​daqui para frente”, afirmou o BBA.

“Também reconhecemos que a execução da PLPL3 tem sido fraca e temos uma preferência relativa por outros nomes dentro do segmento. Mesmo assim, com os papéis sendo negociados a um P/L ajustado estimado para 2027 entre 4 e 4,5 vezes, mantemos nossa recomendação outperform (equivalente à compra)”, acrescentou.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.

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