Por que a ação deste banco subestimado pode chegar a R$ 100, segundo Safra
Nem sempre só comprar o óbvio pode ser uma oportunidade de colocar dinheiro na carteira. Às vezes, ações pouco citadas escondem boas oportunidades. Esse parece ser o caso do Banco Mercantil (BMEB3), que atende uma parcela diferente de outros bancões, como Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4).
O Safra iniciou cobertura do papel com preço-alvo de R$ 100, o que implica potencial de alta de 37%, e recomendação de compra. Segundo analistas, o mercado subestima a melhora no perfil de resultados do banco.
Mais importante: os analistas dizem que o mix de resultados está se tornando estruturalmente melhor, ainda ancorado no crédito consignado, mas cada vez mais apoiado por distribuição digital proprietária e receitas de tarifas com baixa necessidade de capital.
Os analistas calculam lucro líquido de R$ 1,2 bilhão para 2026, com ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 40,3%, e R$ 1,6 bilhão para 2027, com rentabilidade de 38,4%.
Consignado
Os analistas sustentam que a franquia de consignado do INSS segue como o núcleo da tese. Considerado seguro, mas nem sempre fácil de operar, o produto é a base para aquisição, retenção e cross-sell de clientes em todo o ecossistema.
Ao todo, o banco possui 10 milhões de clientes totais, sendo 2,2 milhões beneficiários do INSS, dos quais cerca de metade possui relacionamento de crédito.
“O banco combina acesso regulatório aos fluxos de pagamento dos benefícios, um modelo proprietário de originação e expertise de underwriting no público acima de 50 anos, criando uma vantagem estrutural, especialmente em relação a pares que ainda dependem mais de correspondentes terceirizados”.
De olho nas fraudes, o governo impôs limites de desconto para novos empréstimos consignados, o que tende a impactar o VPL do negócio. Porém, para os analistas, há um impacto limitado, de aproximadamente -5%, dado que o banco não possui uma carteira relevante de cartões consignados.
WhatsApp para distribuição
Para além das figurinhas e dos grupos, o WhatsApp se tornou uma fonte importante de distribuição para o Mercantil.
O banco entendeu cedo que, para o público acima de 50 anos, o WhatsApp muitas vezes é uma interface mais natural e de menor atrito do que um aplicativo bancário tradicional.
“Ao construir uma jornada de originação ponta a ponta dentro desse canal, o banco aumentou de forma relevante a penetração digital, mantendo a distribuição cada vez mais proprietária”.
Isso libera três vantagens principais:
- menor custo de aquisição de clientes;
- menor custo marginal de distribuição; e
- maiores taxas de renovação, que sustentam uma economia unitária mais favorável em um negócio cujos spreads já são apertados.
“Em nossa visão, não se trata apenas de uma história de digitalização, mas de um moat de distribuição construído em torno do comportamento do cliente-alvo do Mercantil”, diz.
Meu+
Outro ponto de apoio do Mercantil é o Meu+, produto de assinatura do banco focado em assistência e benefícios para a base de clientes acima de 50 anos.
“O mecanismo é cada vez mais importante para a geração de receitas com tarifas, ajudando a monetizar a base instalada sem consumir capital regulatório”, afirma o Safra.
Além disso, o Meu+ aumenta a densidade de produtos, o engajamento e o valor do ciclo de vida do cliente, tornando cada cliente adquirido economicamente mais atrativo.
Outra vantagem é que, à medida que a penetração avança dentro da base de clientes com conta domiciliada no banco, a receita de tarifas pode crescer mais rápido do que o crédito.
“Isso pode tornar o mix de resultados mais equilibrado e menos dependente exclusivamente de margem financeira”.
Principais riscos da tese:
- piora do ambiente macroeconômico;
- concorrência;
- risco regulatório; e
- dependência do produto de consignado do INSS.