“Trump quer o urânio em solo americano”: Sócio da BTG Asset explica por que a incerteza energética deve continuar
O conflito entre Estados Unidos e Irã deve continuar sem solução no curto prazo, com impactos diretos sobre o mercado de energia global, na avaliação de Ricardo Kazan, sócio da BTG Asset.
“Trump quer o urânio enriquecido do Irã em terras americanas. Fica difícil imaginar uma solução para o conflito”, afirmou o gestor durante o ETF Day 2026, evento realizado nesta quarta-feira (6).
Segundo Kazan, o ponto central do impasse está no controle do urânio enriquecido. Os Estados Unidos não aceitam que o Irã mantenha esse material, enquanto o país do Oriente Médio resiste a abrir mão de sua soberania nesse tema.
Esse embate ocorre em um contexto mais amplo de disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, no qual o petróleo desempenha papel estratégico. A China depende fortemente de importações de energia, enquanto os EUA possuem maior autossuficiência.
“No Plano de Segurança dos EUA, eles deixaram muito clara a Doutrina Monroe, um movimento de afastar a China da área de influência nas Américas. Não à toa vimos o movimento de Trump na Venezuela, que exportava o petróleo para a China. A China, que se beneficiava de um petróleo barato da Venezuela e do Irã, não se beneficia mais”.
De acordo com Kazan, a estratégia dos EUA é muito clara: atacar os pontos fracos econômicos da China.
O medo de Trump
Kazan destacou que o Irã já demonstrou capacidade de impactar o mercado global mesmo sem armamento nuclear, como no bloqueio do Estreito de Hormuz, rota crucial para o transporte de petróleo.
“O risco é que, com capacidade nuclear, esse poder de pressão aumente exponencialmente. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse ontem que o potencial de ameaça do Irã será muito maior com uma bomba atômica. Rubio foi bem claro e reforçou que o Irã não terá urânio enriquecido”.
A ausência de uma solução clara mantém elevada a incerteza no mercado de commodities, especialmente no caso do petróleo, que segue sensível a qualquer escalada no conflito. Para o gestor, esse ambiente reforça a tendência de preços mais voláteis e sujeitos a choques.
“As commodities estão sob os holofotes e vão continuar nos holofotes”.