Terras raras são tema para daqui 10 a 20 anos e mercado precisa reduzir dependência da China, vê Ricardo Kazan
Apesar do crescente interesse global, o desenvolvimento de cadeias alternativas de terras raras deve levar entre 10 e 20 anos, segundo Ricardo Kazan, da BTG Asset. Para ele, o tema já é estratégico, mas ainda está longe de gerar impacto imediato relevante no mercado.
“As terras raras são para daqui 10 a 20 anos, e o mundo quer sair da dependência da China. Todo o mundo precisa não ser tão dependente da China”, afirmou durante evento da gestora.
Atualmente, a China domina cerca de 80% da cadeia global desses materiais, que são essenciais para tecnologias modernas — incluindo veículos elétricos, turbinas eólicas e aplicações militares. Um dos destaques é o NdPr (neodímio-praseodímio), usado na fabricação de ímãs permanentes de alta eficiência.
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Diante dessa concentração, países como Estados Unidos, Austrália e Brasil têm buscado desenvolver projetos próprios. No entanto, a maioria das iniciativas ainda está em estágio inicial, com características de projetos “greenfield”, que exigem altos investimentos e longo prazo de maturação.
Kazan destacou que o movimento não é apenas econômico, mas também geopolítico. A tentativa de reduzir a dependência da China está inserida em um contexto mais amplo de fragmentação das cadeias globais e busca por maior autonomia estratégica.
Esse processo marca o fim de uma era baseada na eficiência máxima — simbolizada pelo modelo “just in time” — e o início de um novo ciclo, no qual resiliência e segurança de suprimento passam a ser prioridades.
“O estoque deixou de ser mínimo. Agora, países e empresas querem múltiplos de estoque para se proteger”, explicou.
Para o gestor, essa mudança estrutural tende a sustentar a demanda por commodities ao longo das próximas décadas, mesmo diante de ciclos econômicos.