Cotações por TradingView
Cotações por TradingView

Pressão regulatória faz com que grandes corretoras deslistem criptomoedas de privacidade

11/01/2021 - 10:41
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Geralmente chamadas de “moedas de privacidade”, o futuro das criptomoedas anônimas parece cada vez mais incerto: autoridades estão intensificando medidas antilavagem de dinheiro e pressionando corretoras a removerem moedas como monero, zcash e dash (Imagem: Medium/Tezos Commons)

Neste momento, criptomoedas anônimas são legais em grande parte dos países.

É improvável que isso continue assim, dado o crescente foco no uso de criptomoedas em lavagem de dinheiro e ataques de ransomware.

É provável que, conforme mais corretoras centralizadas tentam se legitimar, irão abrir mão dessas moedas anônimas, dada a atenção negativa que atraem das autoridades.

A tendência de deslistagem começou em 2019, quando as corretoras OKEx Korea e Upbit interromperam a negociação de moedas de privacidade e a BitBay deslistou monero (XMR) em novembro do mesmo ano.

Em abril de 2020, Huobi Korea deslistou monero e, em junho, os pares com XMR foram suspensos na Bithumb.

Em 2021, o ritmo está acelerando. No fim de dezembro, Bittrexcorretora cripto com sede em Seattle, anunciou que irá deslistar as moedas de privacidade monero (XMR), zcash (ZEC), dash (DASH) e grin (GRIN).

Usuários da Bittrex devem realizar negociações com essas moedas até o dia 15 de janeiro.

O anúncio das deslistagens foi publicado no blog da empresa. Nenhum motivo específico sobre a decisão foi fornecido mas, após a publicação, a corretora também compartilhou novamente sua Política de Remoção de Mercados & Tokens:

Existem circunstâncias em que a Bittrex pode decidir remover um token da Bittrex Exchange. A Bittrex se reserva no direito de remover qualquer token ou mercado de sua Corretora por qualquer motivo e sem aviso prévio.

Bittrex seguiu a decisão drástica de outra corretora americana, ShapeShift, em deslistar todas as três moedas de privacidade. Em novembro de 2020, ShapeShift afirmou ter tomado essa decisão para “remover o risco da empresa de um ponto de vista regulatório”, mas sugeriu que podem reavaliar a situação no futuro.

As deslistagens na ShapeShift e na Bittrex são, em parte, uma resposta a uma série de novas propostas regulatórias nos EUA que irão afetar a legalidade de moedas de privacidade no país.

Em dezembro de 2020, a Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN) dos EUA publicou uma proposta regulatória que exige requisitos de identificação e restrições de valor para transações que envolvam carteiras cripto autocustodiais.

FinCEN quer que bancos, corretoras cripto e outras empresas de serviços monetários coletem dados de identificação de qualquer pessoa que queira transferir US$ 30 mil de uma carteira “não custodial”.

Coin Center, grupo de defesa cripto, descreve uma carteira não custodial como “aplicações de software que permitem que usuários realizem transações pseudônimas e pessoais com criptoativos pela internet sem o uso de um intermediário financeiro”.

Essa regra sugere a extensão de regras de “conheça seu cliente” (KYC) e antilavagem de dinheiro (AML) relacionadas a carteiras custodiadas por corretoras a cidadãos americanos que desejem converter fiduciárias por cripto ou movimentar “moedas virtuais e conversíveis” (CVCs) para carteiras de armazenamento frio.

Se você é contra as criptomoedas,
também é contra o progresso

FinCEN diz que medidas “essenciais e significativas de segurança nacional” estão por trás da decisão e que autoridades americanas descobriram que agentes maliciosos estão “cada vez mais usando CVCs para facilitar o financiamento ao terrorismo, a proliferação de armas, a evasão de sanções e lavagem de dinheiro transnacional em todo o mundo, bem como a compra e a venda de substâncias controladas, documentos de identificação e dispositivos de acesso roubados e fraudulentos, bens falsificados, malwares e outras ferramentas computacional de hack, armas de fogo e substâncias tóxicas”.

FinCEN é o órgão regulatório americano que visa evitar a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo nos EUA (Imagem: FinCEN)

Em uma publicação, a empresa de análise e perícia em blockchain CipherTrace destaca que as novas regras indicam que bancos e empresas de serviços monetários “não poderão completar a transmissão de fundos até o registro de dados e a verificação estiverem completos”.

É por isso que moedas de privacidade, mais do que outras criptomoedas, cairão sob o escopo das novas regulamentações propostas, pois usam a tecnologia de anonimidade, como provas de conhecimento zero (ZKPs) e assinaturas circulares (“ring signatures”), para ofuscar informações de uma transação cripto sobre a identidade dos transferidores e beneficiários.

Na proposta regulatória, a FinCEN cita moedas de privacidade específicas, ou Moedas de Anonimidade Melhorada (AECs), como potencialmente problemáticas sob a nova lei proposta, afirmando que diversos tipos de AEC — como monero, zcash, dash, komodo e beam — estão “crescendo cada vez mais em popularidade e apresentam diversas tecnologias que inibem a capacidade dos investigadores tanto em identificar uma atividade de transações usando dados de blockchain como para atribuir essa atividade a atividades ilícitas realizadas por pessoas físicas”.

A proposta também explica:

Apesar de relativamente menores em comparação a grandes redes CVCs, AECs têm uma conexão bem-documentada atividades ilícitas.

Por exemplo, AECs foram usadas na lavagem de bitcoins pagos à carteira usada no ataque de ransomware Wannacry. AECs são aceitas em diversos mercados da dark net e as maiores redes de malware de mineração de criptomoedas continuam minerando monero, um tipo de AEC.

Agora que moedas de privacidade estão sob o escopo de autoridades americanas e corretoras, como Bittrex, decidem tomar uma abordagem mais segura ao deslistarem moedas possivelmente problemáticas, alguns projetos mantêm sua posição.

Dash, uma das moedas de privacidade deslistadas pela Bittrex, anunciou que entrou em contato com a equipe de compliance da Bittrex e explicaram: “a partir de um ponto de vista técnico, a funcionalidade de privacidade do Dash não é maior que a do bitcoin, tornando o rótulo de ‘moeda de privacidade’ em um termo errôneo para dash”.

Embora DASH tenha sido rotulada como uma moeda de privacidade, assim como XMR e ZEC, apenas uma pequena porcentagem de transações no blockchain Dash usa o serviço de mixing PrivateSend Coin, um recurso de anonimidade da rede.

Em 5 de janeiro, houve 28.977 transações na rede e apenas 153 usaram PrivateSend (0,5%).

Tyler Winklevoss, fundador da Gemini, outra grande corretora cripto americana, tuitou em suporte da moeda de privacidade ZEC após a deslistagem da Bittrex. Em 2 de janeiro, ele disse:

Zcash $ZEC é, sem dúvidas, a cripto mais subestimada agora. Leva privacidade ao dinheiro, o que é um alicerce fundamental de uma sociedade livre e aberta. Estou orgulhoso que a @Gemini apoia esse projeto nobre com a aprovação da @NYDFS.

É importante destacar que Zcash possui aprovação para ser negociada na corretora pelo Departamento de Serviços Financeiro de Nova York (NYDFS).

Clique aqui para conferir quais são as cinco principais criptomoedas de privacidade do mercado.

Novo! Receba Grátis a Newsletter
Crypto Times
Uma newsletter que minera informação para você!

Autorizo o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 11/01/2021 - 10:41