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PRIO (PRIO3) cai 4% mesmo com resultado recorde: entenda

06 maio 2026, 12:22 - atualizado em 06 maio 2026, 12:43
Prio PRIO3
(Imagem: Divulgação/Prio)

As ações da PRIO (PRIO3) operavam em queda nesta quarta-feira (6), mesmo após a divulgação de um resultado do primeiro trimestre de 2026 considerado forte por analistas.

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Por volta das 12h, os papéis recuavam 4,45%, a R$ 66,41, com o mercado digerindo o balanço, ajustando expectativas para os próximos trimestres e o cenário macroeconômico.

Parte do movimento também reflete realização — mesmo com a queda de hoje, as ações acumulam alta superior a 2% nos últimos cinco dias.

No cenário externo, o petróleo também pressiona o papel. O Brent caía mais de 7,45%, a US$ 101,62, em meio à sinalização de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que devem fechar um memorando para encerrar o conflito, segundo o Axios.

A leitura majoritária é de que o trimestre veio robusto do lado operacional, com produção e vendas recordes, queda relevante de custos e avanço importante com o início da produção em Wahoo. Ainda assim, analistas apontam fatores que ajudam a explicar a reação negativa no curto prazo.

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Na visão da equipe do Citi, liderada por Andrés Cardona, a PRIO entregou um conjunto sólido de números, com receita próxima de US$ 1,1 bilhão, sustentada por maior volume de vendas e preços mais altos do petróleo.

O Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) ajustado de US$ 852 milhões refletiu essa melhora, impulsionado pela maior produção, redução do lifting cost — com destaque para ganhos em Peregrino — e despesas administrativas unitárias menores.

A Empiricus também classifica o resultado como forte, beneficiado tanto pela alta do petróleo quanto pelo aumento da produção, já antecipado nas prévias.

“Assim como nos últimos trimestres, o destaque positivo foi a melhoria operacional dos campos”, afirma a casa.

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Segundo a Empiricus, Albacora Leste — que vinha sendo o calcanhar de Aquiles da companhia — atingiu eficiência recorde de 95,4%, enquanto os demais ativos mantiveram estabilidade acima de 98%, evidenciando a efetividade das iniciativas operacionais.

A casa também destaca a queda do lifting cost para o menor nível desde 2024, refletindo a redução de custos em Peregrino e a entrada de Wahoo.

Resultado financeiro e caixa pressionam

Por outro lado, o Citi destaca que o resultado final foi pressionado por fatores abaixo da linha operacional.

“O lucro seguiu a tendência do Ebitda, mas foi impactado negativamente por maior depreciação e piora no resultado financeiro”, afirmam os analistas.

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Além disso, a dívida líquida subiu para cerca de US$ 4,4 bilhões, refletindo principalmente consumo de capital de giro, com aumento relevante de contas a receber, além de investimentos elevados no projeto Wahoo e recompra de ações.

Esse ponto aparece como um dos principais vetores para a reação negativa do mercado: apesar do lucro e do Ebitda fortes, a geração de caixa no trimestre foi mais fraca.

A Empiricus vai na mesma linha ao apontar que o aumento de recebíveis elevou o capital de giro para US$ 461 milhões, pressionando o caixa no período.

O time do BTG Pactual, liderado por Rodrigo Almeida, também destacou esse ponto ao classificar o fluxo de caixa como neutro no trimestre, justamente por conta do consumo de capital de giro e do pico de capex ligado a Wahoo.

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“O caixa deve voltar a aparecer a partir do segundo trimestre, com normalização de recebíveis e redução dos investimentos”, dizem os analistas.

Ação não está tão descontada

Na leitura do BTG, o operacional segue muito forte: a produção cresceu 42%, atingindo cerca de 155 mil barris por dia, enquanto o lifting cost voltou para um dígito, em US$ 9,4 por barril, reforçando a tese de eficiência da companhia.

Ainda assim, o banco reconhece que, após a forte valorização recente, a ação já não parece tão descontada quanto antes, o que pode amplificar movimentos de realização no curto prazo.

Outro ponto de atenção citado por analistas foi a dinâmica de preços e descontos. Apesar do Brent mais alto, o desconto realizado aumentou no trimestre, impactado pelo maior peso do óleo pesado de Peregrino nas vendas — fator que tende a limitar parcialmente o ganho de preço por barril.

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O Itaú BBA, por sua vez, tem uma leitura mais equilibrada. A equipe liderada por Monique Greco classificou o trimestre como forte, mas dentro do esperado, ressaltando que parte do Ebitda acima das projeções veio de efeitos não recorrentes, como reversões de provisões ligadas a participações especiais.

“Os resultados foram sólidos, mas o desvio positivo em relação às estimativas não deve se repetir”, apontam.

O banco também destacou a mudança no comando operacional da companhia, com a saída do COO Francisco Francilmar e a nomeação de Jean Calvi. Na avaliação dos analistas, a transição não eleva o risco de execução, dada a experiência do novo executivo dentro da própria PRIO.

Apesar das preocupações de curto prazo, a visão estrutural segue positiva entre as casas.

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O Citi mantém a PRIO como uma de suas principais escolhas no setor de óleo e gás, apoiado na forte geração de caixa esperada, no ramp-up completo de Wahoo e no potencial de distribuição de dividendos nos próximos trimestres.

Na mesma linha, o BTG reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 72, destacando que a companhia deve acelerar a desalavancagem e destravar retorno ao acionista à medida que o ciclo de investimentos diminui.

Já a Empiricus também mantém visão construtiva, estimando um yield de fluxo de caixa ao acionista de cerca de 50% no triênio entre 2026 e 2028, sustentado pelo crescimento da produção e pela redução dos custos de extração.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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