Tenda (TEND3) dispara 14% na bolsa após lucro mais que dobrar no 1T26; o que dizem os analistas?
Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações da construtora Tenda (TEND3) operam em forte alta nesta quarta-feira (6), um dia após a companhia divulgar que teve lucro líquido consolidado de R$ 183,4 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), mais que o dobro do resultado apurado um ano antes.
Por volta das 11h25 (horário de Brasília), os papéis avançavam aproximadamente 13,6% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 32,65. Acompanhe o tempo real.
Margens mais fortes e geração de caixa robusta
Entre janeiro e março, a construtora com foco no segmento de baixa renda apurou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado consolidado de R$ 256,7 milhões, alta de 68% na comparação anual.
Segundo dados da LSEG, analistas, em média, projetavam lucro líquido de R$ 129,6 milhões para a Tenda no primeiro trimestre e Ebitda na ordem de R$ 201,5 milhões.
Para o Safra, o desempenho acima do esperado foi puxado, principalmente, pela melhora das margens nas operações principais, que, inclusive, levou a margem bruta ajustada consolidada a 37,5%, avanço de 3,6 pontos percentuais em um ano.
O banco também destacou a geração de caixa de R$ 87 milhões no trimestre — considerada robusta, especialmente diante da sazonalidade do período.
Pontos de atenção
Do lado negativo, o Safra apontou que a Alea, frente de negócios do grupo voltada à construção de casas pré-fabricadas, teve uma queda de 8 pontos percentuais na margem bruta ante o ano anterior.
Além disso, chamou atenção para o cenário de inflação. Segundo a instituição, a Tenda trabalha com uma estimativa implícita de 8% para o INCC em 2026, mas indicou que, caso o índice suba para 10%, o impacto no lucro pode chegar a R$ 20 milhões — cerca de 5% do ponto médio do guidance.
Ainda assim, o banco reiterou a recomendação outperform (equivalente à compra) para os papéis TEND3, destacando a perspectiva de lucros melhorada da empresa, que deverá resultar numa redução significativa do risco da tese de investimento.
“Após a recente queda, vemos as ações negociando a um múltiplo P/L de 4,4 vezes para 2027, entre os valuations mais baratos do nosso universo de cobertura.”
O preço-alvo do Safra para TEND3 é de R$ 41, o que implica um potencial de valorização de cerca de 25%.
Itaú BBA também vê resultado forte
O Itaú BBA seguiu a mesma linha e classificou o resultado da construtora como “acima do esperado de ponta a ponta”.
De acordo com o banco, o lucro veio 18% superior às estimativas, enquanto o fluxo de caixa livre somou R$ 89 milhões, ante expectativa de equilíbrio.
“O segmento principal [de baixa renda] foi o destaque, suportado por uma margem bruta ajustada forte, de 37,9%”, afirmou a casa, em relatório.
No caso da Alea, a instituição destacou que a subsidiaria registou prejuízo líquido de R$ 33 milhões no trimestre, em linha com as previsões, e um consumo de caixa operacional de R$ 15 milhões, que, anualizado, também está em linha com a projeção para 2026.
Quanto à inflação de custos, o BBA destacou que o indicador pode acelerar nos próximos meses, em meio a fatores como a alta do petróleo, o que tende a pressionar as margens.
Ainda assim, avaliou que a Tenda está mais preparada para lidar com esse cenário, com maior controle de gastos e premissas conservadoras nos projetos.
Segundo o banco, após a recente queda das ações, de 17% nas últimas duas semanas, o valuation da companhia está “atrativo”, em 6 vezes e 4 vezes o múltiplo P/L ajustado para 2026 e 2027, respectivamente.
Além disso, na avaliação da casa, se um cenário de inflação de custos elevada não se concretizar, há a possibilidade de revisão das projeções de margens conservadoras, o que poderá levar a aumento dos lucros.
O Itaú BBA também mantém recomendação outperform para a construtora, com preço-alvo de R$ 43, o que representa potencial de alta de aproximadamente 32%.