Inteligência Artificial

Quem toma as decisões sobre IA no Brasil são os homens; só 4,7% dos líderes do setor são mulheres, aponta pesquisa

10 set 2026, 14:58
especializacao inteligencia artificial
(Imagem: Canva Pro)

Apenas 4,7% das posições executivas de inteligência artificial no Brasil estão sob gestão feminina, revelando um estrangulamento de liderança no setor tecnológico nacional frente à média internacional, de 13,3%.

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O dado faz parte de um mapeamento do LinkedIn conduzido em 27 países, demonstrando que o país opera com menos da metade da representatividade global na cúpula decisória que desenha os produtos e investimentos da nova economia digital.

O afunilamento de talentos ocorre no momento de promoção e retenção, uma vez que a base operacional contabiliza 22,1% de participação feminina nos postos de IA abaixo do nível decisório.

Veja os dados:

● Média global em cargos executivos de IA (27 países): 13,3% de presença feminina
● Cargos executivos de IA no mercado brasileiro: 4,7% de presença feminina
● Cargos operacionais de IA (abaixo da cúpula) no Brasil: 22,1% de presença feminina

O que trava mulheres no setor de tecnologia

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A baixa presença de mulheres nos cargos de comando da inteligência artificial no Brasil começa a se formar antes do topo da hierarquia. O principal obstáculo está na passagem para postos de gerência e diretoria, onde barreiras internas e desigualdades de acesso reduzem a ascensão de profissionais qualificadas.

A concentração do poder de decisão é um dos fatores. Investimentos em novos algoritmos, estratégias de negócios e direcionamento de projetos de IA continuam majoritariamente sob liderança masculina, o que limita a participação feminina nas definições mais estratégicas do setor.

O viés nas promoções internas também pesa. Barreiras invisíveis, conhecidas como glass ceiling ou teto de vidro, dificultam o avanço de mulheres com qualificação técnica para cargos de gestão e direção.

Fora das empresas, a desigualdade se mantém no acesso ao mercado de inovação. Redes de influência e o mercado de capital de risco ainda oferecem menos espaço para mulheres em posições de liderança, restringindo sua participação tanto na criação quanto na expansão de negócios ligados à inteligência artificial.

Mulheres lideram 60% das compras no e-commerce nacional

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A desconexão estratégica ganha contornos de risco financeiro quando confrontada com o perfil do consumo nacional, no qual as mulheres já lideram 60,1% das transações de e-commerce (compras e vendas), superando os homens (53,2%) e dominando quase a totalidade das categorias de varejo digital.

Segundo o Relatório de Identidade e Fraude 2025, da Serasa Experian, 82% da população brasileira realiza compras online mensalmente. A criação de modelos preditivos, algoritmos de recomendação e redes de segurança por equipes sem diversidade na liderança eleva o perigo direto de viés tecnológico em sistemas que movimentam a maior fatia do comércio eletrônico do país.

Observatório cobra políticas para mudança

A urgência de reversão do quadro levou o estudo W-Tech 2025, elaborado pelo Observatório Softex no final do último ano, a propor medidas estruturais imediatas, incluindo a implantação de métricas transparentes para promoções executivas, programas corporativos de aceleração de carreira e a revisão rigorosa dos critérios de contratação de líderes.

“A diversidade é a força que impulsiona o futuro do nosso setor. Não basta falar em inovação sem falar em inclusão. Precisamos de políticas permanentes, métricas claras e comprometimento real de todos os atores (governo, empresas e academia) para garantir que as mulheres estejam no centro da transformação digital brasileira”, afirma Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.

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* Sob supervisão de Maria Carolina Abe

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Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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