Safra eleva preço-alvo de Usiminas (USIM5); ações sobem até 2%
As ações da Usiminas (USIM5) operam entre as maiores altas do Ibovespa (IBOV) nos primeiros minutos do pregão desta segunda-feira (18).
Por volta de 13h10 (horário de Brasília), USIM5 subia 0,22%, a R$ 9,14. Na máxima intradia, os papéis chegaram a subir 2,85% (R$ 9,38). Acompanhe o Tempo Real.
Mais cedo, o Safra elevou o preço-alvo das ações da mineradora de R$ 7,70 para R$ 9,70 para o fim deste ano, o que representa um potencial de valorização de 6,4% sobre o preço de fechamento anterior. Na última sexta-feira, USIM5 terminou o dia cotada a R$ 9,12.
Os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro destacaram, desde meados de abril, a Usiminas superou o desempenho da Gerdau e do Ibovespa, com apoio dos resultados do primeiro trimestre (1T26) acima das expectativas.
No 1T26, a mineradora reportou lucro líquido de R$ 896 milhões, um avanço de 166% na comparação com o mesmo período em 2025.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o resultado teve um salto de 596% ante os R$ 129 milhões reportados no período.
Segundo a companhia, a evolução reflete a melhora do resultado operacional, efeitos cambiais líquidos positivos e um aumento nos créditos por tributos diferidos pela apreciação do real frente ao dólar no período.
Para o Safra, a supresa positiva foi em custos de produtos vendidos (COGS, na sigla em inglês), com cerca de 1% de ganho na margem Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) decorrente de efeitos da moeda “que podem não se repertir”.
O banco também considera a queda mais rápida das importações de aço como um dos catalisadores recentes da ação, apoiando uma recuperação das vendas domésticas e permitindo aumentos de preços (HRC em alta de 9% no acumulado do ano).
Além disso, os analistas destacam o aumento da confiança na implementação de novas medidas antidumping.
‘Vender’ continua sendo a recomendação
Apesar da valorização recente, o Safra mantém a recomendação de venda para USIM5.
Para os analistas, “grande parte” do cenário mais favorável já está precificado, limitando o potencial adicional de valorização nos níveis atuais e criando um perfil de ‘risco-retorno’ mais assimétrico.
“Vemos maior assimetria negativa, já que a avaliação para 2027 já embute uma forte melhora em relação aos resultados atuais”, escreveram Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro em relatório.
Além disso, a dupla considera o valuation atual “pouco atraente”.
“O risco de queda permanece caso os preços não melhorem ou os custos não recuem, já que tanto nossas projeções quanto as do consenso já embutem premissas otimistas para preços e alguma deflação nos custos de matérias-primas”, acrescentaram os analistas.
Para os analistas, a demanda segue fraca e os riscos de evasão comercial podem limitar a eficácia das medidas antidumping.
“As medidas antidumping podem reduzir a penetração das importações chinesas, mas os riscos de evasão permanecem relevantes — seja por substituição por produtos similares ou por mudança na origem das importações, como já ocorreu historicamente”, diz o relatório.
Eles destacam ainda que os dados da Secretária de Comércio Exterior (Secex) mostram que as importações de aços planos caíram 44% na comparação anual em abril, com as importações representando 24% do consumo. “Não vemos isso como evidência suficiente de uma normalização sustentável”.
O Safra também avalia que o caso antidumping dos laminados a quente (HCR) continua provável e a implementação deve acontecer no fim deste ano, com efeitos apenas em 2027.