Lula prioriza Haddad em discurso e cita cinco vezes pré-candidato ao governo de São Paulo durante evento
Em ritmo de campanha nas eleições 2026, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), citou cinco vezes o pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), durante discurso em evento oficial no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), no início da tarde dessa segunda-feira (18), em Campinas (SP).
O ex-ministro da Fazenda é a aposta do governo federal para alavancar a candidatura à reeleição de Lula no estado com maior eleitorado do Brasil e ainda para tentar levar o PT a um governo inédito em São Paulo.
No discurso, o sobrenome “Haddad” foi incluído em cinco trechos da fala sobre diversos assuntos, apenas um – a alíquota zero do imposto de renda para salários até R$ 5 mil – ligado diretamente ao seu mandato.
Além de Haddad, que estava presente apesar de não ter mais cargos públicos, apenas a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foi citada por Lula, ainda assim com uma cobrança futura: que ela visitasse o CNPEM e o acelerador de partículas Sirius “para ver o que está perdendo”.
Os ministros da Educação, Leonardo Barchini, e o substituto da Saúde, secretário-executivo Adriano Massuda, foram tratados por Lula apenas como “ministros” dos seus cargos.
Falando para Haddad, Lula iniciou o discurso dizendo que era desnecessário falar sobre ciência diante do quadro de pesquisadores presentes no laboratório considerado um dos mais importantes do mundo e para justificar os investimentos no setor. “Em um investimento como esse, qualquer quantidade de milhões é muito pequena perto do do que vai render para o futuro do País e da sociedade brasileira”.
Em seguida, o presidente defendeu que o Brasil fomente a formação de mais pesquisadores, matemáticos engenheiros e especialistas em inteligência artificial para que o País “ganhe autonomia diante do mundo e possa defender com altivez a soberania nacional”. Como exemplo de pesquisa aliada à soberania, ele citou o biodiesel, cujo programa brasileiro nasceu em 2003, durante seu primeiro mandato, pelas mãos do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.
“Brasil não precisa ser refém do Euro 9 e Euro 10 (programa ambiental para motores de veículos na Europa), porque nosso combustível tem menos emissões. Nosso combustível é 67% menos emissor que o deles. Em vez de venderem o mix tecnológico para encarecer nosso caminhão, é melhor eles comprarem nosso combustível”, afirmou Lula, citando visita à feira de tecnologia da Hannover, na Alemanha.
Ao falar sobre Economia, o presidente retomou o discurso da desigualdade tributária, afirmou “pobre paga o plano de saúde do rico”, já que os gastos das classes mais altas são abatidos no imposto de renda. Em seguida, disse que pretende ampliar a “justiça tributária, que o Haddad começou a fazer” com a alíquota do imposto de renda zero para renda de até R$ 5 mil.
“É bom, mas é pouco, porque é importante que fosse mais e vamos campanha para fazer isso”, afirmou. Sobre a Petrobras, Lula novamente se dirigiu a Haddad e falou que a estatal foi a empresa “mais rentável no mundo no primeiro trimestre no planeta Terra”, sem no entanto, dar detalhes.
O presidente retomou a cobrança para que os Estados Unidos e o presidente Donald Trump se associem ao Brasil para explorar aqui terras raras e minerais críticos. “O Brasil precisa sair do atraso a que foi submetido”, disse. Ao final, Lula defendeu o investimento em educação e, novamente se dirigindo e citando Haddad prometeu adotar o projeto que “o meu ministro da Educação” apresentou.
“Haddad, um projeto de R$ 200 bilhões em dez anos. Estou certo que podemos aprovar os investimentos ser for convincente”, concluiu.
Agenda
No CNPEM, em Campinas, Lula participou da inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius. As novas linhas têm o intuito de ampliar a capacidade brasileira de pesquisa em áreas estratégicas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais.
Considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil, o Sirius integra o grupo restrito de países com fonte de luz síncrotron de quarta geração. O equipamento funciona como um “supermicroscópio” capaz de analisar estruturas em escala atômica e apoiar pesquisas avançadas em diferentes áreas do conhecimento. Entre 85% e 90% de seus componentes foram produzidos ou desenvolvidos no Brasil.
No local, houve ainda o lançamento da pedra fundamental do primeiro Polo do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, iniciativa coordenada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A agenda do presidente prevê uma visita à Refinaria de Paulínia (Replan), e anúncio de investimentos da Petrobras no estado de São Paulo, no período da tarde.