Comprar ou vender?

Santander (SANB11): Louise Barsi fala sobre OPA e diz o que vai fazer com ação

03 ago 2026, 16:09 - atualizado em 03 ago 2026, 16:10
Louise Barsi
A operação recebeu críticas de uma acionista conhecida do Santander: Louise Barsi, filha do maior investidor pessoa física da bolsa, Luiz Barsi (Imagem: Reprodução)

O Santander (SANB11) surpreendeu, mais pelo timing do que pelo momento, ao anunciar uma OPA (oferta pública de aquisição de ações) que deixou parte dos analistas e investidores com um pé atrás.

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Isso porque se trata de uma oferta com permuta. Ou seja, a troca não será por dinheiro, mas por BDRs (Brazilian Depositary Receipts, recibos que representam ações de empresas negociadas no exterior) do Santander Espanha a serem emitidos no Brasil. O prêmio também parece modesto: 15%.

A operação recebeu críticas de uma acionista conhecida do Santander: Louise Barsi, filha do maior investidor pessoa física da bolsa, Luiz Barsi, e acionista do banco. Em vídeo publicado no Instagram, ela afirmou que a operação é “uma clara tentativa de estrangulamento do minoritário”.

“Vamos falar a verdade. O investidor vai se sentir obrigado a vender a ação, já que não tem outra alternativa caso não queira ter BDRs na carteira”, afirmou.

Uma das principais preocupações dos investidores que optarem por não aderir à oferta é justamente a liquidez.

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Reduzir um free float (percentual das ações em circulação no mercado, excluindo a participação do controlador) que já é pequeno, de aproximadamente 10%, pode deixar o Santander (SANB11) com liquidez e relevância ainda menores na bolsa brasileira.

Prêmio de centavos?

Segundo Louise, o prêmio de 15% é “muito conveniente para a matriz, que já tinha conhecimento prévio dos resultados da subsidiária brasileira”.

“Se considerarmos a cotação antes da divulgação do balanço do segundo trimestre, o prêmio cai consideravelmente, para perto de 5%”, destacou.

Ela lembra ainda que, nos últimos três anos, as ações do grupo acumularam valorização de quase 280% em dólares, enquanto o Santander Brasil praticamente estagnou, registrando queda acumulada de cerca de 5% no mesmo período.

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“Isso sem falar que as ações preferenciais têm uma vantagem de 10% sobre os dividendos, e não houve sequer a consideração disso na relação de troca pelos BDRs.”

Para a investidora, se a intenção fosse realmente oferecer um prêmio, o controlador poderia, inclusive, apresentar uma alternativa em dinheiro compatível com o consenso de mercado para o valor justo da ação, que, antes da divulgação do balanço do segundo trimestre, girava em torno de R$ 34.

“Por enquanto, eu já sei o que não vou fazer: não vou converter minhas ações. Vou aguardar o desenrolar dessa história”, concluiu.

Santander: Entenda a Opa

Na última quinta, o Santander anunciou uma oferta pública voluntária para adquirir a fatia remanescente de aproximadamente 10% do capital do Santander Brasil que ainda está nas mãos de investidores minoritários.

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A operação, estimada em cerca de € 1,9 bilhão (R$ 11 bilhões), não será paga em dinheiro: os acionistas poderão trocar suas ações ou units do banco brasileiro por BDRs lastreados em ações da matriz espanhola.

Apesar do prêmio, a oferta dividiu opiniões no mercado.

Analistas destacam que a proposta representa uma oportunidade para investidores realizarem lucro imediato e passarem a ter exposição ao conglomerado global do Santander, com operações em mercados como Espanha, Reino Unido, México e Brasil.

Por outro lado, gestores e especialistas apontam que o prêmio pode ser insuficiente diante do desconto histórico em que o Santander Brasil negocia na bolsa e alertam para possíveis perdas de liquidez caso o free float diminua significativamente.

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Embora o Santander afirme que não pretende fechar o capital da subsidiária brasileira neste momento, o banco deixou aberta a possibilidade de uma futura deslistagem, dependendo do nível de adesão à oferta.

O movimento relembra uma operação semelhante realizada em 2014, quando a matriz promoveu uma troca de ações por BDRs para reduzir a participação de minoritários e retirar o banco do Nível 2 de Governança Corporativa da então BM&FBovespa.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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