Comprar ou vender?

OPA bilionária do Santander (SANB11): As obrigações, os riscos e as frustrações com oferta

31 jul 2026, 11:07 - atualizado em 31 jul 2026, 11:19
Santander
(Imagem: Leila Melhado/iStock)

Uma questão de tempo, e não de ‘se’. É assim que parte do mercado define a OPA (oferta pública de ações) que o Santander Espanha lançou para tirar o Santander Brasil (SANB11) da bolsa brasileira, um dia depois de entregar resultados decepcionantes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para o controlador, a operação faz total sentido. Enquanto as units do Santander Brasil acumulavam queda de cerca de 25% no ano até a véspera do anúncio — movimento agravado pelo tombo de 7,37% após o balanço —, o Santander Espanha sobe mais de 16% em 2026 e acumula alta de 61% em 12 meses, negociando próximo das máximas históricas.

A diferença era significativa no P/VPA (preço sobre valor patrimonial). O Santander Brasil negociava próximo de 0,9 vez o P/VPA estimado para 2026, enquanto a matriz era avaliada em torno de 1,6 vez.

Nas palavras da Genial, o Grupo Santander utiliza uma moeda de troca negociada a um múltiplo substancialmente superior para comprar um ativo barato.

Outro ponto é que apenas cerca de 10% do capital do Santander Brasil está em circulação no mercado. Em 2014, o banco realizou uma operação semelhante e retirou 25% das ações de circulação.

Bom para quem?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ao investidor minoritário, restam duas alternativas. A primeira é trocar as ações por BDRs (Brazilian Depositary Receipts) do Santander Espanha, que serão emitidos no Brasil. A relação de troca ficou assim:

  • para cada unit ou ADS (American Depositary Share) do Santander Brasil, 0,4056 nova ação do Banco Santander;
  • para cada ação ordinária ou preferencial do Santander Brasil, 0,2028 nova ação do Banco Santander.

Para convencer o investidor, a proposta oferece um prêmio de 15%.

Em comentário, o Citi afirmou que, embora esse prêmio possa parecer suficientemente atraente para incentivar uma aceitação imediata, o preço de SANB11 caiu após a divulgação dos resultados do segundo trimestre, reduzindo o ganho em relação ao patamar anterior ao balanço para cerca de 5%.

A outra opção é manter o papel, o que pode não fazer sentido. Isso porque a estrutura da operação coloca os acionistas minoritários em uma posição mais delicada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Reduzir um free float (percentual das ações em circulação no mercado, excluindo a participação do controlador) já pequeno, de aproximadamente 10%, pode deixar SANB11 com liquidez e relevância ainda menores na bolsa brasileira.

Um free float mais restrito poderia ampliar descontos, reduzir o interesse institucional e aumentar o risco de futuras operações societárias em condições menos favoráveis, afirma o Citi.

‘Como resultado, questionamos se a relação de troca reflete adequadamente o valor relativo de um negócio que contribui com aproximadamente 15% dos lucros do grupo, mas que está sendo adquirido a um múltiplo substancialmente inferior ao da controladora.’

Como se não bastasse, dada a estrutura da operação, a controladora parece inflexível quanto ao preço, deixando pouca margem de negociação para os minoritários.

Prêmio mirrado

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já o JPMorgan foi direto: considera a proposta decepcionante e inferior ao prêmio inicial de 20% oferecido em 2014.

‘O preço da oferta está abaixo da nossa estimativa de valor justo de R$ 30 por ação local, mesmo após nosso recente rebaixamento da recomendação para neutra.’

O Safra vai na mesma linha ao ver os 15% como um prêmio relativamente baixo para uma aquisição de participação minoritária.

Para piorar, a oferta é voluntária e não busca o fechamento de capital. Com isso, não aciona as proteções de preço justo e de laudo independente normalmente associadas a uma OPA obrigatória no Brasil.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

‘A oferta permanece cerca de 29% abaixo do nosso preço-alvo de R$ 41 por unit, embora esse preço-alvo também anteceda a recente desvalorização da ação e apresente risco de revisão para baixo. Portanto, não enxergamos essa diferença mecânica como potencial automático de valorização.’

Santander pode ser obrigado a fechar capital

O JPMorgan destaca um ponto importante: caso o Santander passe a controlar 95% das ações, isso poderá abrir caminho para uma aquisição compulsória e, posteriormente, para o fechamento de capital das ações remanescentes.

Em conversa com o Money Times, um gestor, que não possui posição no banco, afirmou que permanecer com as units pode ser uma estratégia arriscada diante da redução do free float.

A liquidez, que já não é elevada, tende a ficar ainda menor caso a operação seja bem-sucedida.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

‘Se tivesse as ações, faria a troca e depois venderia os papéis do Santander Espanha, que são mais líquidos’, afirma.

Prêmio pode cair ou subir

O Safra lembra que a oferta estabelece uma nova referência de valor próxima de R$ 29,04 por unit, o que tende a puxar SANB11 para esse patamar.

‘Ainda assim, trata-se de uma âncora suave, e não de um piso rígido como ocorreria em uma OPA em dinheiro.’

Na prática, o prêmio depende da cotação das ações da controladora e da taxa de câmbio. Também não há condição mínima de adesão, e os mecanismos antidiluição ajustam a relação de troca para dividendos, JCP (juros sobre capital próprio) e desdobramentos, mas não para recompras de ações.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

‘Dessa forma, o prêmio efetivo pode variar até a liquidação da operação.’

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
Linkedin
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
Linkedin

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar