Selic a 13,75%: 4 pontos para entender por que o Copom reduziu os juros em 0,25 p.p.
O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, nesta quarta-feira (16). Esta foi a quinta redução dos juros seguida e, mais uma vez, a decisão foi unânime.
O corte também veio em linha com o esperado pelo mercado. Na última atualização, com data de referência da segunda-feira (14), o contrato de Opções de Copom da B3 apontava a chance de 94,5% de o Banco Central (BC) reduzir os juros em 0,25 p.p. Havia ainda 1% de probabilidade de corte maior, de 0,50 ponto percentual, e 3,5% de chance de manutenção a 14% ao ano.
Desta vez, a decisão trouxe poucas novidades em relação ao comunicado anterior.
🔴ESPECIAL COPOM:
Selic a 13,75%: Entenda a decisão do Copom
Internacional
No comunicado, o Copom reforçou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os conflitos no Oriente Médio, assim como na decisão anterior.
“Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities“, diz o comunicado.
O documento também manteve entre os riscos de alta na inflação os possíveis impactos por choques de oferta relacionados ao petróleo e seus derivados e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia.
Já entre os riscos de baixa está uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e do petróleo, assim como de um cenário de maior incerteza.
Economia brasileira
Em relação ao cenário doméstico, os diretores do Banco Central ressaltaram que o conjunto dos indicadores de atividade econômica mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, ainda em patamar resiliente.
Também mantiveram a observação de que o mercado de trabalho continua aquecido.
“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-as abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta”, diz o comunicado.
As expectativas do mercado também seguem desancoradas.
“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,9% e 4,3%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2% no cenário de referência”, diz o Copom.
O comunicado acrescenta que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista.
Entre os riscos de alta destacam-se:
- desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta relacionados a petróleo e seus derivados e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia;
- maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo;
- conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada;
- estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária
Já entre os riscos de baixa para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, os diretores do Copom consideram:
- uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação;
- uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e de petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e
- uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
Além disso, o Comitê afirmou que segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.
Vem mais cortes aí?
Em relação ao comunicado da decisão de agosto, o Copom manteve a indicação de que a “magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações“.
“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das
expectativas e riscos elevados em torno do cenário base demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”, diz o comunicado.
“O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, acrescentaram os diretores.
Decisão unânime
Segundo o comunicado, os dirigentes do Banco Central entraram em consenso e a decisão foi novamente unânime.
Gabriel Galípolo (presidente), Ailton de Aquino, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton Schneider, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 13,75% ao ano.