Copom reduz pela 5ª vez os juros e Selic vai a 13,75% ao ano; veja detalhes
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano na reunião desta quarta-feira (16). A decisão foi unânime. Este é o quinto corte consecutivo do Banco Central, que iniciou o ciclo de flexibilização em março deste ano.
O mercado já apostava em um corte de 0,25 ponto percentual com um ambiente um pouco mais favorável para a inflação, mas mantendo o tom cauteloso em meio à nova escalada do conflito no Oriente Médio e ao preço do petróleo acima dos US$ 100 por barril.
O principal recado do Copom foi de que o tamanho total do ciclo de cortes dependerá dos próximos dados, sem indicação sobre a magnitude ou a continuidade das reduções.
“O Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou.
Apesar da melhora recente dos preços, o BC avalia que os riscos para a inflação continuam mais elevados que o normal e com assimetria altista, ou seja, com maior peso para fatores capazes de pressionar a inflação para cima.
Entre eles, estão a desancoragem das expectativas, possíveis efeitos dos preços do petróleo, uma inflação de serviços mais resistente, o câmbio depreciado e estímulos ao consumo.
Para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, o Copom projeta inflação de 3,2%.
Atividade desacelera, mas emprego segue forte
No cenário doméstico, o BC reconheceu uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente nos setores mais sensíveis aos juros. Ao mesmo tempo, destacou que a economia ainda permanece resiliente e que o mercado de trabalho segue aquecido.
O ambiente externo também exige atenção. O Copom citou as incertezas envolvendo os conflitos no Oriente Médio, a política monetária das economias avançadas e a volatilidade dos preços de ativos e commodities.
O fiscal brasileiro permanece no radar. Segundo o comunicado, o Comitê continuará acompanhando os impactos da política fiscal sobre a política monetária e os ativos financeiros.
Diante desse cenário, o BC reforçou que a condução dos juros continuará exigindo “serenidade e cautela” e que manterá o grau de restrição necessário para levar a inflação de volta à meta.