Economia

Selic em jogo: o que os últimos dados dizem antes da decisão do Copom

28 abr 2026, 7:00 - atualizado em 24 abr 2026, 15:18
(Imagem: iStock/ Rmcarvalho

O Comitê de Política Monetária (Copom) decide o rumo da taxa básica de juros brasileira mais uma vez nesta quarta-feira (29).

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A expectativa de grande parte do mercado é de que o Banco Central (BC) corte a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, saindo dos atuais 14,75% para 14,50%.

Para essa decisão, o comitê deve levar em consideração os dados divulgados sobre a economia brasileira desde a última reunião. Dados de atividade, inflação e mercado de trabalho ajudam a calibrar o cenário macroeconômico em um contexto ainda pressionado pela guerra no Oriente Médio e pela alta do petróleo.

Relembre os principais indicadores divulgados até o momento que irão ajudar o BC a decidir os próximos passos da política monetária brasileira.

IBC-Br

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, voltou a apontar crescimento da economia brasileira em fevereiro, mas sem consenso sobre o fôlego dessa recuperação e com alertas no radar para os próximos meses.

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O indicador avançou 0,6% na comparação mensal, em linha com as expectativas do mercado, mas recuou 0,3% em relação ao mesmo período do ano passado, acendendo o debate sobre a consistência desse movimento.

Analistas avaliaram que os dados reforçam que a atividade “ganhou tração” no início de 2026, no entanto o desempenho positivo ainda não se traduz em tendência, especialmente diante da queda na comparação anual.

A leitura setorial reforça essa cautela. Embora a indústria tenha puxado o resultado, o crescimento segue concentrado em segmentos ligados à economia doméstica, impulsionados pelo mercado de trabalho resiliente e pela renda real mais elevada. Ao mesmo tempo, começam a surgir sinais de perda de fôlego, sobretudo na demanda das empresas e em parte do setor de serviços.

IPCA de março

A alta de 0,88% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em março, acima das expectativas do mercado, acendeu um alerta. A inflação voltou a mostrar força justamente nos componentes mais sensíveis e mais persistentes.

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Na leitura dos especialistas, três vetores principais explicam a surpresa altista: combustíveis, alimentos e serviços.

O choque mais evidente veio do grupo de transportes, impulsionado pela disparada dos combustíveis em meio às tensões no Oriente Médio. Gasolina e óleo diesel registraram altas expressivas no mês e, sozinhos, tiveram contribuição relevante para o índice cheio. Em março, a alta foi de 4,47% e 13,90%, respectivamente.

Outro ponto que chamou atenção foi a resiliência dos serviços, um componente mais ligado à demanda e, portanto, mais difícil de ceder.

Itens como alimentação fora do domicílio, transporte por aplicativo e até serviços ligados ao lazer vieram mais fortes do que o esperado, indicando que a inflação subjacente segue pressionada. A média dos núcleos também surpreendeu para cima, reforçando essa percepção.

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Vale lembrar que ainda teremos a leitura do IPCA-15 de abril que será divulgado no dia 28 de abril, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Volume de serviços no Brasil

O volume de serviços no Brasil registrou alta pelo segundo mês seguido em fevereiro e está no patamar recorde da série histórica, mostrando resiliência da demanda doméstica, embora tenha ficado abaixo do esperado.

Em fevereiro, houve avanço de 0,1% no volume de serviços em relação ao primeiro mês do ano, resultado que ficou aquém da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,5%.

Os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram ainda que, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve ganho de 0,5%, contra expectativa de crescimento de 1,7%.

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Desemprego

O Brasil registrou taxa de desemprego de 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número representa alta frente ao trimestre de setembro a novembro de 2025 (5,2%), mas queda de 1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado (6,8%).

A população desocupada totalizou 6,2 milhões de pessoas, aumento frente aos 5,6 milhões do trimestre anterior e queda de 14,8% em relação a fevereiro de 2025.

Já a população ocupada somou 102,1 milhões de pessoas, com leve recuo de 0,8% em três meses e avanço de 1,5% no ano.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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