Semana de arrancada para o agro na Bolsa: 6 ações sobem mais de 15%; veja os destaques
As ações ligadas ao agronegócio tiveram uma semana de fortes movimentos na Bolsa brasileira, com seis dos 11 papéis acompanhados pelo Agro Times acumulando valorização superior a 15%.
O grande destaque ficou com a São Martinho (SMTO3), que avançou 24,64% na semana. Na sequência aparecem MBRF (MBRF3), com alta de 21,59%, Jalles (JALL3), com 20,69%, SLC Agrícola (SLCE3), com 20,20%, Boa Safra (SOJA3), com 18,81%, e Minerva Foods (BEEF3), com 15,99%.
Na ponta negativa, a Raízen (RAIZ4) destoou das demais sucroenergéticas e recuou 7,69%. 3tentos (TTEN3) e JBS (JBSS32) também terminaram a semana no vermelho, com quedas de 0,96% e 0,51%, respectivamente.
Por trás dos movimentos, a semana reuniu desde revisões de recomendações e preços-alvo por bancos até a recuperação dos preços do açúcar no mercado internacional.
Açúcar coloca São Martinho e Jalles no topo
A São Martinho liderou os ganhos entre as ações do agro, com valorização de 24,64%, enquanto a Jalles Machado subiu 20,69%.
Parte importante do movimento aconteceu em meio à forte recuperação do açúcar na ICE, em Nova York. Nesta semana, o contrato do açúcar bruto chegou a tocar 18,26 centavos de dólar por libra-peso, maior patamar em mais de um ano.
O mercado passou a incorporar preocupações maiores com a oferta global, em meio às perspectivas climáticas com o El Niño, além da decisão da Índia de autorizar a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar com isenção de tarifas até 31 de outubro.
Os preços domésticos do açúcar na Índia dispararam nos últimos meses, enquanto os estoques do país já vinham operando em níveis historicamente baixos. O cenário reforçou a percepção de aperto na oferta global e ajudou a impulsionar as ações das produtoras brasileiras.
O movimento chama atenção principalmente porque o setor sucroenergético vinha convivendo com uma visão bastante mais cautelosa do mercado para a safra 2026/27.
No caso da Jalles, a disparada ocorreu mesmo após um primeiro trimestre da safra 2026/27 marcado por prejuízo líquido de R$ 74,1 milhões. Por outro lado, a companhia apresentou melhora operacional no campo, com moagem de 3,13 milhões de toneladas de cana, alta de 10,1%, e produtividade de 89,6 toneladas por hectare.
A grande exceção do segmento foi a Raízen, que acumulou queda de 7,69% na semana. A companhia ainda enfrenta o peso de seu elevado endividamento, apesar das iniciativas para simplificação do portfólio, redução de investimentos e venda de ativos. Vale destacar que, por ser negociada na casa dos centavos, qualquer variação nominal representa uma oscilação percentual relevante.
No primeiro trimestre da safra 2026/27, a Raízen reduziu o prejuízo líquido para R$ 1,64 bilhão e cortou os investimentos em 32,6%, enquanto a distribuição de combustíveis apresentou forte desempenho. A dívida líquida, porém, ainda estava em R$ 56,87 bilhões.
MBRF dispara mais de 21%
Entre os frigoríficos, o grande destaque foi a MBRF, com avanço de 21,59%.
Um dos principais gatilhos veio do Bank of America, que elevou a recomendação para as ações de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 23 para R$ 26, indicando potencial de valorização de 51% sobre a cotação utilizada pelo banco.
Na visão do BofA, a companhia começa a entrar em uma combinação mais favorável, com perspectiva de recuperação das margens da operação de carne bovina na América do Norte, redução dos investimentos e consequente melhora na geração de fluxo de caixa livre e desalavancagem.
A leitura encontra eco em avaliações recentes de outras casas de análise, que passaram a enxergar um segundo semestre mais construtivo para a companhia, principalmente diante da expectativa de que a parte mais difícil do ciclo do gado nos Estados Unidos esteja ficando para trás.
A Minerva (BEEF3) também teve uma semana de recuperação, acumulando alta de 15,99%. O movimento ocorre após um período de forte pressão sobre o papel depois dos resultados do segundo trimestre, quando investidores demonstraram preocupação com geração de caixa e com os riscos relacionados às exportações de carne bovina brasileira para a China.
A ação chegou a disparar 7% apenas na quinta-feira (20), em um movimento de recuperação a partir de níveis próximos das mínimas em 52 semanas.
Já a JBS (JBSS32) ficou praticamente estável na semana, com baixa de 0,51%. Entre as principais notícias envolvendo a companhia esteve a proposta para comprar os cerca de 18% da Pilgrim’s Pride que ainda não pertencem à JBS, desta vez por meio de uma troca de ações.
SLC salta 20% com revisão de expectativas
Outro destaque da semana foi a SLC Agrícola (SLCE3), cujas ações avançaram 20,20%.
O papel recebeu uma sequência de revisões de analistas após meses de preocupação com os possíveis impactos do El Niño sobre a produtividade da safra 2026/27.
O UBS BB elevou a recomendação de venda para neutra, entendendo que boa parte dos riscos relacionados à produtividade já estava incorporada às ações.
Já o BTG Pactual foi mais otimista e elevou seu preço-alvo para R$ 23, ante R$ 20 anteriormente, mantendo recomendação de compra. A leitura passa tanto por fatores de curto prazo quanto pela estratégia de longo prazo da companhia.
Nos últimos três anos, a SLC ampliou sua área plantada em aproximadamente 158 mil hectares, ou 23%, aproveitando um momento mais difícil do ciclo agrícola para expandir suas operações. A estratégia contracíclica começa a ganhar importância justamente quando parte do mercado passa a olhar para uma eventual normalização do ciclo.
Carteira recorde impulsiona Boa Safra
A Boa Safra completou o grupo de ações com altas superiores a 15%, avançando 18,81%.
O principal gatilho veio dos resultados do segundo trimestre. A companhia registrou lucro líquido de R$ 2,7 milhões, revertendo prejuízo de R$ 2,7 milhões registrado um ano antes.
A receita líquida cresceu 23%, para R$ 124,6 milhões, enquanto o Ebitda ajustado saltou de R$ 4,5 milhões para R$ 27,6 milhões. Além disso, a empresa anunciou uma carteira de pedidos recorde de aproximadamente R$ 1,8 bilhão, indicador particularmente relevante diante da forte sazonalidade do negócio de sementes.
BrasilAgro sobe; 3tentos e Kepler ficam de lado
Fora do grupo das maiores altas, a BrasilAgro (AGRO3) avançou 5,64% na semana.
Ao Money Times, o CEO da empresa falou sobre o momento atual e dividendos e explicou como a empresa está “sempre pronta” para um negócio imperdível.
Já a Kepler Weber (KEPL3) terminou praticamente estável, com alta semanal de 0,33%.
Na semana, a Trígono Capital informou ter reduzido sua participação na fabricante de equipamentos para armazenagem de grãos de 15,3% para 14,94%. A movimentação ocorreu poucos dias após a Kepler divulgar lucro líquido de R$ 6,3 milhões no segundo trimestre, queda de 56,1% na comparação anual, com Ebitda recuando 31,7%.
A 3tentos, por sua vez, caiu 0,96%. A companhia ainda digere um segundo trimestre considerado fraco por analistas, marcado pela pressão sobre as margens. O Ebitda ajustado com hedge ficou em R$ 78,7 milhões, queda de 64,3% na comparação anual.
Apesar dos números mais fracos, casas como Itaú BBA e Santander mantiveram uma visão mais construtiva para a tese de longo prazo da companhia, enquanto a própria 3tentos anunciou um programa de recompra de até 5 milhões de ações.