Setor elétrico puxa recorde de emissões de debêntures incentivadas no trimestre, diz Galapagos Capital
As operações de financiamento de projetos de infraestrutura por meio de emissões de debêntures incentivadas, que são isentas de tributação para pessoa física, superaram o volume financeiro de títulos simples no primeiro trimestre pela primeira vez, alcançando R$ 44 bilhões, segundo dados analisados pela Galapagos Capital.
O total dos três primeiros meses do ano superou os R$ 40 bilhões em debêntures simples registradas no período, segundo os dados da Galapagos, levantados junto a registros feitos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
No ano passado, o volume de emissões de debêntures incentivadas somou R$ 164 bilhões ante R$ 130 bilhões em 2024, segundo os dados da Galapagos.
A expectativa para este ano, segundo o responsável pela área de mercado de capitais de dívida do banco de investimento da Galapagos Capital, Mariano Vieira, autor do levantamento, é de crescimento nas operações incentivadas, após o grande fluxo de leilões de ativos de infraestrutura em 2025 principalmente nas esferas federal e estadual.
“Tem mais demanda pelos papeis”, disse Vieira em entrevista à Reuters. “Algumas empresas que historicamente não precisavam se financiar por debêntures incentivadas, estão vendo que o mercado consegue absorver cheques grandes”, acrescentou.
No primeiro trimestre, a maior operação de debênture incentivada foi a da empresa paulista de saneamento Sabesp, que fez uma emissão de R$ 4,3 bilhões em títulos de 15 anos e remuneração entre inflação mais 6,24% e 6,35% ao ano.
Mas o setor elétrico foi destaque, sendo responsável por 67% das emissões de debêntures incentivadas no período, ou R$ 29 bilhões, segundo os dados de Vieira. Um ano antes, o setor havia sido responsável por 40% do volume financeiro, com transporte e logística assumindo outros 36% diante do alto número de leilões de rodovias realizados por governos federal e estaduais.
Este ano, o segmento de transporte e logística teve apenas 10% de participação nas emissões de debêntures de infraestrutura nos três primeiros meses do ano, de acordo com o levantamento, enquanto saneamento teve outros 10% e tecnologia da informação e telecomunicações 8%.
No setor elétrico, a Copel emitiu um total de R$ 3,2 bilhões em títulos incentivados no primeiro trimestre, a Equatorial outros R$ 3 bilhões em três operações, a Energisa R$ 1,8 bilhão e a Coelba R$ 1,7 bilhão.
A maior parte das operações do primeiro trimestre foram feitas com remuneração de IPCA mais um spread de até 7%, disse Vieira. Já nos últimos 12 meses o mais comum foi IPCA mais 8% a 9%.
“Como migrou muita liquidez para o produto, acaba puxando as taxas para baixo”, disse o Vieira. “É um reflexo da dinâmica do mercado.”
Em número de emissões, o primeiro trimestre teve 70 operações com títulos incentivados, segundo a Galapagos, uma queda ante as 87 do quarto trimestre, mas bem acima das 46 operações do início de 2025.
“Historicamente, dois terços das emissões ocorrem no terceiro e quarto trimestres”, disse Vieira. “Mas como vamos ter Copa e eleição este ano, as empresas tendem a antecipar”, acrescentou.