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SLC Agrícola (SLCE3): BTG eleva preço-alvo com impulso de curto prazo e hora de ‘colher’ estratégia contracíclica

21 ago 2026, 12:15
slc agricola slce3
(Imagem: REUTERS/Randall Hill)

O BTG Pactual elevou o preço-alvo para as ações da SLC Agrícola (SLCE3) de R$ 20 para R$ 23, reforçando a recomendação de compra para os papéis. O novo valor representa um potencial de valorização de aproximadamente 52% sobre a cotação de R$ 15,15 considerada no relatório.

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Na visão do banco, uma tese que há anos se sustenta na capacidade da companhia de gerar valor ao longo dos ciclos começa agora a ganhar também um “impulso de curto prazo”, diante da recuperação dos preços das commodities agrícolas.

“Depois de um período de três anos durante o qual as soft commodities foram ignoradas por grande parte da comunidade de investidores, nossa antiga recomendação de compra pode começar a parecer atraente novamente”, apontam Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

O banco destaca que sempre enxergou a SLC como uma companhia capaz de construir valor ao longo dos ciclos, sobretudo desde 2018, quando a empresa passou a apostar em uma estratégia de crescimento mais asset-light.

Agora, porém, a combinação entre essa história de longo prazo e fundamentos melhores no curto prazo pode começar a destravar valor para as ações.

SLCE3 pode começar a colher estratégia contracíclica

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Nos últimos três anos, a SLC aumentou sua área plantada em 23%, ou cerca de 158 mil hectares. Para colocar o avanço em perspectiva, o BTG destaca que apenas essa expansão equivale aproximadamente a toda a atual área plantada da BrasilAgro (AGRO3).

Esse crescimento, contudo, ainda não apareceu integralmente nos resultados.

No mesmo período, os preços realizados do algodão e da soja recuaram 7% e 22%, respectivamente, anulando o impacto positivo da expansão da área. Com isso, o Ebitda permaneceu praticamente estável, enquanto a margem Ebitda saiu de 37,5% em 2023 para uma estimativa de 28,5% em 2026.

É justamente aí que entra a estratégia contracíclica da companhia.

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A SLC optou por investir e crescer durante um período de preços mais baixos. Segundo o BTG, essa estratégia só mostra todo seu potencial quando as commodities voltam a subir, permitindo que a companhia capture preços melhores sobre uma base produtiva significativamente maior.

E o banco acredita que esse momento está próximo. O BTG projeta que a margem Ebitda volte a crescer em 2027 pela primeira vez em três anos, apoiada pela recuperação dos preços de algodão e grãos.

Nos últimos dois meses, segundo o relatório, as cotações do algodão avançaram 17%, enquanto as da soja subiram 10%.

Como os resultados partiram de uma base deprimida, mesmo uma melhora relativamente pequena das margens pode ter impacto expressivo sobre o lucro. O BTG estima que o lucro por ação da SLC avance cerca de 130% em 2027.

Um novo ciclo para as commodities?

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Para o banco, a recuperação recente das commodities agrícolas pode ir além de um movimento pontual.

Depois de quase quatro anos de preços baixos, começam a aparecer sinais de restrição de oferta em fibras e grãos, justamente porque as cotações menos atrativas reduziram os incentivos para expansão da produção.

Estados Unidos e Índia, por exemplo, reduziram suas áreas destinadas ao algodão em 32% e 11%, respectivamente, em relação aos picos de 2022.

No Brasil, o banco destaca que a área destinada à soja deve ficar praticamente estável pela primeira vez em três décadas.

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Além disso, segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) citadas pelo BTG, os estoques finais devem recuar para todos os principais grãos e fibras em 2026/27. No algodão, os estoques de 70 milhões de fardos seriam os menores desde 2023.

O BTG também chama atenção para a relação histórica entre petróleo e commodities agrícolas. Nos últimos 20 anos, soja, milho e algodão apresentaram correlação próxima de 90% com o petróleo, segundo o banco.

Assim, a recente valorização do Brent ajuda a explicar parte da recuperação. Ainda assim, para os analistas, os fundamentos de oferta sugerem que o movimento pode ser mais estrutural.

El Niño é principal risco para SLC Agrícola

Nem tudo, porém, joga a favor da tese. O BTG classifica o El Niño como o principal risco para suas projeções. Historicamente, os efeitos do fenômeno sobre a produtividade da SLC foram mais negativos do que positivos.

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A expectativa é que a anomalia climática atinja seu pico em novembro, coincidindo com etapas importantes do plantio das primeiras safras de soja e algodão, e perca força somente no segundo trimestre de 2027, durante o desenvolvimento das lavouras de algodão e milho.

Por isso, o banco reconhece um risco concreto para as produtividades da companhia em 2027.

Por outro lado, o BTG lembra que a SLC vem aumentando os investimentos em tecnologia e irrigação para reduzir sua exposição aos efeitos climáticos.

Além disso, praticamente 100% da área agricultável da companhia já está desenvolvida e madura, fator que, segundo os analistas, reduz os impactos sobre a produtividade em condições meteorológicas adversas.

BTG vê EBITDA perto de R$ 3 bilhões em 2027

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Com a atualização das curvas de commodities, câmbio, hedges, custos e projeções de produtividade, o BTG estima um EBITDA de R$ 2,4 bilhões em 2026, avançando para R$ 2,95 bilhões em 2027. Para o lucro líquido, as projeções são de R$ 404 milhões e R$ 763 milhões, respectivamente.

A melhora dos resultados também deve ajudar a reduzir a alavancagem. O banco calcula que a relação entre dívida líquida e EBITDA, excluindo IFRS 16, recue de 2,9 vezes no fim de 2026 para 2,3 vezes em 2027.

Para o BTG, a dinâmica de oferta que sustentou anos de excesso de produção e preços deprimidos finalmente parece estar se invertendo, abrindo espaço para um novo ciclo de valorização das commodities.

Para a SLC, isso significaria começar a “colher” os investimentos realizados nos últimos três anos. Com as novas estimativas, a ação negocia a 9,9 vezes o lucro e oferece um free cash flow yield (retorno do fluxo de caixa livre) normalizado de 10%, acima da média histórica de 7%.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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