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Crédito privado ficou mais atrativo após turbulência recente, diz gestor da BTG Asset

06 maio 2026, 20:18 - atualizado em 06 maio 2026, 20:18
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O mercado de crédito privado — que inclui debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e títulos bancários, como CDBs — atravessou meses mais turbulentos no início de 2026, mas o cenário agora parece mais favorável para novas alocações. Essa é a avaliação de Guilherme Mattioli, sócio e gestor da BTG Pactual Asset Management.

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Durante participação no ETF Day, evento promovido pelo banco para assessores de investimentos, Mattioli afirmou que a instituição não identifica um problema estrutural no mercado de crédito, como uma deterioração generalizada das empresas ou uma onda ampla de inadimplência.

Segundo o gestor, os ajustes recentes nos preços e nas taxas dos títulos abriram espaço para um aumento das posições em renda fixa privada. “Antes estávamos com mais caixa, mas agora abriu um espaço para um movimento mais forte de alocação”, afirmou.

Nos últimos meses, o mercado foi pressionado por uma sequência de recuperações judiciais e extrajudiciais de empresas, além de episódios envolvendo instituições financeiras, como o caso do Banco Master.

Ao mesmo tempo, a taxa Selic em níveis elevados impulsionou fortemente a demanda por ativos de crédito privado ao longo do ano passado, comprimindo os spreads e reduzindo o prêmio pago aos investidores.

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Com os spreads mais apertados, muitos papéis passaram a oferecer uma remuneração considerada insuficiente diante do risco de crédito dos emissores. Esse cenário, combinado com os eventos recentes de estresse no mercado, desencadeou uma onda de vendas de títulos e resgates em fundos de crédito privado.

A consequência foi uma reabertura dos spreads, movimento que, na visão da BTG Asset, voltou a deixar os retornos mais compatíveis com os riscos assumidos pelos investidores.

Mattioli também destacou que o mercado de crédito privado brasileiro se tornou mais desenvolvido e líquido na última década. Diferentemente do passado, quando os investidores costumavam carregar os títulos até o vencimento, hoje existe um mercado secundário mais ativo para negociação desses ativos.

Isso fez com que debêntures, CRIs, CRAs e Letras Financeiras passassem a reagir de maneira mais rápida a fatores macroeconômicos, geopolíticos e aos resultados corporativos, aproximando o comportamento desses ativos ao observado na bolsa de valores.

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Na avaliação do gestor, essa transformação aumentou a volatilidade dos fundos de crédito, mas também fortaleceu a gestão ativa dentro da classe. “O investidor pode ficar um pouco preocupado, mas, de modo geral, o mercado está mais maduro. Os investidores já estão entendendo os motivos dessas oscilações”, disse.

Sobre os episódios recentes envolvendo empresas como Grupo Pão de Açúcar, Braskem e Raízen, Mattioli afirmou que muitas companhias já vinham demonstrando sinais de fragilidade antes do agravamento do cenário e que, de forma geral, as empresas seguem relativamente preparadas para conviver com juros elevados por mais tempo.

O gestor também aproveitou o evento para comentar o DEBB11, ETF de debêntures da BTG Pactual Asset Management, que replica um índice composto por títulos indexados ao CDI emitidos por grandes empresas. Atualmente, o fundo reúne mais de 200 ativos em carteira.

Segundo Mattioli, ETFs de crédito privado oferecem vantagens em relação à compra direta de debêntures ou aos fundos tradicionais, principalmente em termos de liquidez, diversificação e tributação. As cotas são negociadas em bolsa e permitem acesso pulverizado ao mercado com um valor reduzido de investimento.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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