As taxas dos DIs com prazos mais longos dispararam nesta sexta-feira (30) refletindo os temores do mercado quanto ao equilíbrio fiscal do país após dados do Banco Central demonstrarem aumento da dívida bruta em julho, e quanto ao controle da inflação depois de mais um número forte do mercado de trabalho.
Declarações do presidente do BC, Roberto Campos Neto, pela manhã contribuíram para redução das apostas de alta de 50 pontos-base da Selic em setembro, o que fez as taxas de curtíssimo prazo estagnarem, mas isso também deu um impulso adicional às taxas dos DIs mais longos.
No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 — também de curtíssimo prazo — estava em 10,995%, ante 10,984% do ajuste anterior.
Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 12,11%, ante 11,846%, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 12,08%, ante 11,816%.
As taxas dos DIs mostraram ganhos firmes já no início da sessão, após o BC informar que o setor público consolidado registrou um déficit primário de 21,348 bilhões de reais em julho, bem acima dos 5 bilhões de reais projetados por economistas ouvidos pela Reuters.
Para o mercado, os números sugeriram uma deterioração das contas públicas acima do esperado.
Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou na abertura da sessão que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,8% nos três meses até julho, em linha com o esperado por economistas, mas no menor nível para o período desde o início da série histórica, em 2012.
Os dados reforçaram os receios de que o mercado de trabalho aquecido pode pressionar a inflação de serviços e, no limite, exigir uma taxa básica Selic mais elevada no futuro. A curva a termo também refletiu isso.
O cenário desfavorável foi reforçado pela alta firme do dólar ante o real e pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
Durante todo o dia o mercado também demonstrava ansiedade antes da apresentação, pelo governo, do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025, com o detalhamento das despesas e das receitas para o próximo ano. Investidores estarão atentos aos números para avaliar se o resultado primário projetado pelo governo é compatível com a meta de primário zero estabelecida para o próximo ano. Os dados devem sair ainda nesta sexta-feira.
Ao tratar da questão fiscal em evento da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que, se o governo não tivesse sofrido algumas derrotas “compreensíveis” no Congresso Nacional em 2023, o país teria um déficit fiscal zero de forma sustentável este ano.
No exterior, os yields seguiam em alta no fim desta tarde. Às 17h15 o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 3 pontos-base, a 3,902%.
*Com Reuters