Wall Street tem alta após inflação abaixo do esperado reduzir apostas de elevação nos juros pelo Fed
Os índices de Wall Street fecharam em alta com dados de inflação mais fracos do que o esperado e o recuo do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz. A expectativa de acordo entre os EUA e Iraque também ficou no radar.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: +0,02%, aos 52.508,27 pontos;
- S&P 500: +0,38%, aos 7.543,59 pontos;
- Nasdaq: +0,90%, aos 26.107,008 pontos.
Em destaque, as ações da IBM (IBM), negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), despencam mais de 25,21% (US$ 217,07), registrando o pior dia desde 19 de outubro de 1987, com prévia do balanço do segundo trimestre (2T26) e preocupações sobre os investimentos massivos em inteligência artificial (IA).
Inflação abaixo do esperado
Com breve o alívio dos preços do petróleo no mês de junho, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) registrou deflação de 0,4% em junho, a maior queda mensal dese abril de 2020 e abaixo das expectativas do mercado.
No acumulado de 12 meses, a inflação norte-americana registrou uma desaceleração de 4,2% em maio para 3,5%, também abaixo do esperado pelo mercado.
Embora o dado não seja a referência inflacionária para o Fed, o CPI é usado pelo mercado para calibrar as apostas sobre a trajetória dos juros.
Após o dado, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava para 83,4% de chance de o Fed manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na decisão prevista para o fim deste mês, no dia 29. Antes do CPI, a probabilidade de manutenção de 63,1%.
Para a reunião seguinte, em setembro, as apostas também mudaram: o mercado segue com a aposta majoritária em uma nova alta, mas agora os traders veem 56,5% de chance de uma elevação nos juros contra 71,7% antes do CPI.
Warsh no Congresso
Em audiência na Câmara dos Representantes, o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que quaisquer mudanças nas políticas do balanço patrimonial do BC serão antecipadas, explicadas e debatidas, e que os mercados financeiros serão amplamente avisados com antecedência sobre elas.
Ele também prometeu “fazer seu trabalho” caso seja desafiado pelo presidente Donald Trump — seu comentário mais direto até o momento sobre como lidaria com o tipo de pressão que seu antecessor enfrentou durante grande parte de seu mandato.
“Fora das quatro paredes do Federal Reserve, sem dúvida há muita política. Meu objetivo dentro do banco central é que não haja política. Na medida em que houver política lá, vamos nos livrar dela.”
Escalada das tensões no Oriente Médio
Os ataques mútuos entre Estados Unidos e Irã completaram o terceiro dia desde o fim da trégua temporária entre os dois países.
Ontem (13), o presidente norte-americano Donald Trump anunciou que assumirá o controle do Estreito de Ormuz e deve cobrar um pedágio para o tráfego na via marítima.
Em publicação na rede social Truth, o chefe da Casa Branca confirmou a implementação do bloqueio marítimo ao Irã pelas Forças Armadas dos EUA hoje. Para os demais países, a via marítima segue “aberta”, segundo o mandatário.
“O petróleo está fluindo como nunca antes, graças ao poder extraordinário das Forças Armadas dos Estados Unidos. […] Graças a todos os membros das Forças Armadas mais poderosas do mundo, de longe, o Estreito de Ormuz está aberto a todo o tráfego marítimo, exceto para o Irã — e isso se deve à sua liderança mentirosa, violenta e maliciosa, que os está conduzindo ao caminho da DESTRUIÇÃO TOTAL”, disse.
“Teremos um BLOQUEIO TOTAL, mas apenas para navios que chegam e partem de portos iranianos, ou que transportem qualquer coisa relacionada à carga iraniana”, acrescentou o presidente norte-americano.
Trump ainda afirmou que o pedágio de 20%, também anunciado ontem, foi “substituído” por acordos comerciais e compromisso de de investimentos “enormes” de diversos países do Golfo nos EUA.
No final da tarde, o republicano também afirmou que os EUA vão fechar muitos acordos com o Iraque e extrair muito petróleo do país. As declarações foram feitas a repórteres s antes de uma reunião com o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, na Casa Branca.