Renda Fixa

Adeus ao CDI? XP aponta onde buscar retorno na renda fixa com a Selic em queda

23 set 2026, 14:26
renda fixa carteira
(Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

A queda da taxa Selic não significa que o investidor precisa abandonar a renda fixa. Pelo contrário: com os juros ainda elevados e a expectativa de novos cortes pelo Banco Central, a XP vê uma janela para travar retornos atrativos em títulos prefixados e atrelados ao IPCA, além de manter uma parcela da carteira em pós-fixados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em relatório, a XP projeta que a Selic encerre 2026 em 13,25% ao ano e recue para 11,50% em meados de 2027. Para a casa, o movimento tende a aumentar a importância do chamado carrego, ou seja, da remuneração contratada pelo investidor ao comprar o título e mantê-lo por um período mais longo.

O cenário, segundo os analistas, abre espaço para olhar além do CDI. Isso porque prefixados e papéis indexados à inflação ainda oferecem taxas historicamente elevadas e também podem se valorizar caso os juros cobrados pelo mercado continuem recuando.

Prefixados: ainda dá tempo de travar taxas?

Nos títulos prefixados, a XP chama atenção para uma combinação que costuma favorecer o investidor: juros ainda altos em meio a um ciclo de queda da Selic.

Ao analisar diferentes janelas entre 2006 e 2026, a casa constatou que os prefixados apresentaram desempenho igual ou superior ao CDI em cerca de 69% das observações. Os maiores excessos de retorno apareceram justamente nos momentos em que os juros partiam de níveis elevados, abrindo espaço para cortes posteriores.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“O benefício dos prefixados tende a ser maior quando o investidor consegue travar taxas elevadas antes que o ciclo de flexibilização esteja totalmente refletido nos preços”, afirma a XP no relatório.

Isso acontece por dois caminhos. O primeiro é que, ao comprar um prefixado, o investidor garante a taxa oferecida naquele momento caso carregue o papel até o vencimento. O segundo é a marcação a mercado. Se os juros caírem, títulos emitidos anteriormente com taxas maiores tendem a se valorizar, permitindo eventualmente ganhos adicionais em uma venda antecipada.

A XP, porém, faz uma ressalva importante: prazo maior não significa necessariamente oportunidade melhor.

A preferência está nos vencimentos intermediários, que ainda oferecem retornos elevados, mas apresentam menor exposição às incertezas fiscais e inflacionárias de longo prazo. Os papéis mais longos podem ganhar mais se os juros caírem, mas também sofrem oscilações maiores caso as expectativas piorem.

IPCA+ acima de 7% chama atenção

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Outra oportunidade destacada pela XP está nos títulos ligados à inflação. Atualmente, há papéis oferecendo juros reais superiores a 7% ao ano, patamar bem acima da média de aproximadamente 3,9% registrada na última década.

A combinação é especialmente relevante porque o investidor garante a variação do IPCA mais uma taxa real. Além disso, pode obter ganhos de marcação a mercado caso os juros reais recuem.

Segundo a XP, os níveis atuais são pouco comuns. Desde 2011, as taxas das NTN-Bs 2030 e 2035 ficaram concentradas, na maior parte do tempo, entre 5% e 6,5% ao ano, enquanto patamares superiores a 7,5% apareceram em uma parcela pequena das observações.

Parte desse prêmio reflete justamente os riscos que continuam rondando o cenário brasileiro. A XP cita as incertezas fiscais, o maior volume de emissões do Tesouro Nacional e fatores técnicos do mercado. A inflação implícita nos títulos também permanece acima das projeções da própria XP e das expectativas do Focus, sinalizando que os preços ainda incorporam um cenário mais cauteloso para os próximos anos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Aqui, novamente, a recomendação é não correr automaticamente para o vencimento mais distante. Para os IPCA+, a XP considera que títulos com duration em torno de seis anos oferecem uma relação mais equilibrada entre retorno esperado e risco.

Carrego vira protagonista com Selic em queda

Mais do que tentar acertar exatamente o movimento das taxas, a XP defende que o tempo de investimento ganha importância nesse cenário.

Nos prefixados, por exemplo, mais de 84% das observações em janelas de 24 meses apresentaram retornos superiores a 10%. À medida que o horizonte aumenta, diminui também a ocorrência de resultados negativos ou próximos de zero.

Isso ocorre porque as oscilações provocadas pela marcação a mercado pesam mais no curto prazo. Conforme o tempo passa, o retorno contratado inicialmente tende a assumir parcela maior do resultado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“O principal motor de retorno tende a ser o carrego contratado no momento da aplicação”, diz a XP.

E o CDI?

Apesar do destaque dado aos prefixados e IPCA+, a XP não recomenda abandonar os pós-fixados.

Com a Selic ainda em nível elevado e a expectativa de que os juros permaneçam restritivos por algum tempo, esses títulos continuam oferecendo remuneração atrativa, menor volatilidade relativa e liquidez.

A estratégia defendida pela casa, portanto, não é trocar completamente um indexador por outro, mas combinar pós-fixados, prefixados e IPCA+. Em um cenário no qual a Selic cai, mas as taxas de mercado continuam elevadas, a XP avalia que a principal oportunidade está em aproveitar o carrego disponível hoje sem concentrar a carteira em uma única aposta.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar