Commodities

Agências divergem sobre petróleo necessário para atender demanda

16 jul 2021, 14:12 - atualizado em 16 jul 2021, 14:12
Opep
A Opep prevê que o consumo atingirá esse patamar no trimestre seguinte, sendo que a AIE tem uma visão mais cautelosa sobre a recuperação, com a mesma estimativa consolidada apenas nos últimos três meses de 2022 (Imagem: REUTERS/Leonhard Foeger)

A Opep+ precisa aumentar a produção para equilibrar o mercado global nos próximos meses. Com isso, todos concordam. Mas não há unanimidade sobre o volume de petróleo que a aliança terá que bombear.

A Agência Internacional de Energia, a Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo afirmam que a demanda global continuará a se recuperar pelo menos até o fim do próximo ano.

Nesse ponto, as três veem o consumo ultrapassando os níveis comparáveis de 2019 e atingindo novas máximas. Mas ainda há divergências sobre os caminhos que serão percorridos para chegar lá.

A Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos, ou EIA na sigla em inglês, é a mais otimista das três principais agências de previsão.

Ao contrário da AIE e da Opep, a EIA não vê uma queda sazonal significativa da demanda no início do próximo ano, pois a contínua recuperação econômica compensaria quase todos os efeitos sazonais que normalmente afetam o consumo de petróleo no primeiro semestre.

Como resultado, a agência governamental dos EUA vê a demanda global por petróleo acima do nível comparável pré-Covid já no segundo trimestre de 2022.

A Opep prevê que o consumo atingirá esse patamar no trimestre seguinte, sendo que a AIE tem uma visão mais cautelosa sobre a recuperação, com a mesma estimativa consolidada apenas nos últimos três meses de 2022.

Os três grupos esperam que o crescimento da demanda por petróleo desacelere para níveis vistos antes de 2020 diante do menor impacto da pandemia de Covid-19, que já não influenciaria as comparações anuais.

Nenhuma agência vê a demanda por petróleo atingir um pico em uma base global, mas a AIE se destaca como a única das três a prever que o consumo nas nações desenvolvidas da OCDE cairá abaixo dos níveis do ano anterior no último trimestre de 2022, com a Europa sendo a primeira região a registrar queda.

Mas a normalização das taxas de crescimento da demanda não significa que o mercado de petróleo esteja se equilibrando, longe disso.

Tendo feito um trabalho impressionante em cumprir as metas de produção durante a primeira fase de recuperação do petróleo, a Opep+ agora precisa mostrar a mesma coesão durante a próxima fase. Por enquanto, o grupo teve de enfrentar uma recuperação mais lenta do que o previsto no acordo de abril de 2020, exigindo atrasos na flexibilização de metas e cortes adicionais da Arábia Saudita.

Isso deve mudar. O acordo original não previa nenhum aumento da produção até expirar no final de abril de 2022, mas isso deixará o mercado global com falta de petróleo, pois os estoques excedentes acumulados durante o auge da pandemia se esgotaram.

Que a Opep+ precisa elevar a produção não é contestado. Mas o quanto mais precisa bombear depende de compartilhar a visão mais otimista sobre a demanda da EIA ou as perspectivas mais cautelosas da AIE e da Opep.

A diferença é de 2 milhões a 3 milhões de barris por dia por até seis meses. Isso vai exigir uma gestão prática de suprimentos por parte do grupo de produtores.