Recuperação Judicial

Ambipar (AMBP3) suspende Assembleia Geral de Credores por decisão do STJ

02 set 2026, 10:42
Caminhões da Ambipar. Foto: Divulgação

A Ambipar (AMBP3), em recuperação judicial, comunicou nesta quarta-feira (1º) a suspensão da Assembleia Geral de Credores (AGC) prevista para hoje, em segunda convocação.

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A interrupção ocorreu antes mesmo do início da reunião, atendendo a uma decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), resultante de um pedido de tutela antecipada feito por determinados credores do Grupo Ambipar, que inclui a Ambipar e suas afiliadas, como a Environmental ESG Participações S.A., também em recuperação judicial.

Com a decisão, a AGC permanece suspensa até o julgamento definitivo da controvérsia apresentada no pedido de tutela antecipada.

Além disso, a liminar determinou, após reconsideração parcial, a suspensão do prazo do chamado stay period, que é o período no qual a empresa tem proteção contra ações de cobrança por parte dos credores, a partir da data da decisão liminar e até nova manifestação do STJ.

A AGC tinha como objetivo aprovar os termos do Plano de Recuperação Judicial do Grupo Ambipar, um passo fundamental para a reorganização financeira das companhias e para a retomada da estabilidade operacional.

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Segundo a companhia, “a suspensão prolonga a indefinição sobre a concretização das condições previstas no plano, podendo impactar o relacionamento com os credores e a percepção do mercado sobre a empresa”.

A crise na Ambipar

A crise da Ambipar ganhou dimensão de reestruturação financeira depois que o rápido crescimento da companhia veio acompanhado de um forte aumento do endividamento. Em outubro de 2025, o grupo entrou em recuperação judicial com passivo de cerca de R$ 10,5 bilhões, em um processo que envolve credores de títulos emitidos no exterior, debêntures e bancos.

A estrutura da dívida tornou-se o principal problema da empresa, que passou a negociar com os credores enquanto enfrentava dificuldades para manter em dia suas obrigações.

A recuperação ainda está longe de ser concluída. O plano precisa ser aprovado pelos credores, e a própria condução do processo tem provocado disputas com instituições financeiras.

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Em agosto, a Ambipar voltou a adiar a divulgação de seus resultados, alegando que a recuperação judicial afetou a apuração das informações financeiras e contábeis.

A situação também se estendeu às operações: no fim de julho, uma fornecedora de frotas, a Addiante, pediu a falência da companhia por uma dívida de R$ 187,7 milhões, enquanto a Ambipar contestou a cobrança na Justiça.

Assim, o desafio da empresa deixou de ser apenas reduzir o peso da dívida e passou a envolver também a recuperação da previsibilidade financeira e da confiança dos credores e investidores.

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É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
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