Aura (AURA33): Custos altos e derivativos ofuscam lucro recorde e BDRs caem mais de 5%
Os BDRs da Aura Minerals (AURA33) operaam em forte queda nesta quarta-feira (7), após a divulgação do resultado do primeiro trimestre de 2026.
Por volta das 15h15, os papéis caíam 5,62%, a R$ 138,19, com investidores reagindo principalmente à pressão de custos da mineradora e aos impactos negativos dos derivativos de ouro — apesar do lucro recorde, do avanço operacional e do Ebitda acima de algumas expectativas.
A Aura reportou lucro líquido de US$ 95,2 milhões no trimestre, revertendo o prejuízo de US$ 73,2 milhões registrado um ano antes. A receita líquida somou US$ 382,6 milhões, alta de 136% na comparação anual, enquanto o Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) ajustado atingiu US$ 243,9 milhões, avanço de 199%.
Mesmo assim, a leitura do mercado ficou mais concentrada na deterioração operacional de algumas minas e no salto dos custos.
O custo caixa consolidado, indicador que mede os gastos diretos para produzir ouro, avançou 30% frente ao quarto trimestre, para US$ 1.485 por GEO (onça equivalente de ouro, unidade usada para converter diferentes metais em uma métrica equivalente ao ouro), enquanto o All-in Sustaining Cost (AISC), métrica mais ampla que inclui também despesas de manutenção e sustentação das minas, subiu 20%, para US$ 1.829 por GEO.
Além disso, os derivativos de ouro continuaram pressionando os números. A mineradora registrou US$ 33 milhões em perdas realizadas com hedge e outros US$ 24 milhões em perdas não realizadas por marcação a mercado dos contratos.
A equipe do Santander, liderada por Yuri Pereira e Laura Zioli, destacou que a Aura ainda possui cerca de 184 mil onças de “collars” atrelados à produção futura de Borborema. Esse tipo de derivativo estabelece uma faixa de preços para venda do ouro, limitando parte dos ganhos da companhia em um cenário de forte alta da commodity.
“Seguimos destacando o impacto ainda negativo dos collars de ouro”, escreveram os analistas. Segundo o banco, os contratos têm teto de US$ 2.400 por onça e vencem até junho de 2028.
A equipe da XP Investimentos, liderada por Lucas Laghi, classificou o resultado como neutro, apesar do Ebitda levemente acima das projeções da casa.
“A Aura entregou mais um trimestre sólido, com Ebitda ligeiramente acima das nossas expectativas”, escreveram os analistas. “A performance de custos decepcionou ligeiramente, refletindo menor produção em Aranzazu e Apoena devido ao sequenciamento de mina e custos mais altos em Almas relacionados ao desenvolvimento da mina e apreciação do real e do peso.”
Os destaques positivos da Aura
Na visão da XP, Borborema e MSG foram os destaques positivos do trimestre.
“Borborema superou expectativas, com Ebitda ajustado de US$ 61 milhões e aprovação da tão aguardada relocação da estrada, reforçando o crescimento de volumes”, afirmou a corretora. Sobre a MSG, os analistas disseram que “a volatilidade operacional é esperada, com melhora concentrada no segundo semestre de 2026”.
Já o time de siderurgia e mineração do Itaú BBA, liderado por Edgard Pinto de Souza, avaliou o resultado como “ligeiramente negativo”.
“A principal frustração veio da performance de custos mais fraca do que o esperado”, escreveram os analistas. “O trimestre foi marcado pelo sequenciamento de minas em algumas operações e por melhorias de infraestrutura na MSG, o que impactou produção e custos.”
Apesar disso, o Itaú afirmou que ainda espera melhora operacional relevante ao longo do ano.
“Não vemos o primeiro trimestre como representativo para o ano inteiro, já que os custos devem cair significativamente, especialmente no segundo semestre, apoiados por uma produção mais forte”, destacou o banco. Ainda assim, a equipe ponderou que “custos caixa e AISC devem convergir para o topo do guidance de 2026”, o que pode levar a revisões negativas nas projeções de lucro.
Apesar da reação negativa no pregão, os bancos seguem majoritariamente construtivos com a tese da Aura. A XP manteve visão positiva, apoiada no ramp-up de Borborema, na recuperação operacional da MSG e nos preços elevados do ouro. O Itaú BBA reiterou recomendação outperform, equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 165 para o fim de 2026, enquanto o Santander também tem recomendação outperform, mas com preço-alvo de R$ 140.