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Boi em alta e margens em recuperação nos EUA: o que o BofA espera para JBS (JBSS32), MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3)

01 out 2026, 15:13
Gado em Hamilton (EUA)
(Foto: Brandon Bell/Getty Images)

Os preços do boi no Brasil devem subir cerca de 10% em 2027, enquanto o pior momento das margens da carne bovina nos Estados Unidos parece ter ficado para trás. A avaliação é do Bank of America (BofA), que vê perspectivas distintas para os dois mercados e chama atenção para um desafio de curto prazo da Minerva Foods (BEEF3): a formação de estoques em território norte-americano deve pressionar o capital de giro no terceiro trimestre de 2026 (3T26).

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O relatório das analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo reúne as principais conclusões de encontros com diretores financeiros e representantes de relações com investidores de JBS (JBSS32), MBRF (MBRF3) e Minerva. As conversas ocorreram durante uma viagem de investidores organizada pela equipe de análise de crédito de mercados emergentes do banco, com participação de mais de 30 empresas.

No Brasil, a perspectiva de valorização do gado acompanha a entrada na fase de retenção de bovinos. Segundo o BofA, os abates do setor recuaram aproximadamente 10% no terceiro trimestre de 2026, em um ambiente de oferta mais restrita de animais.

Os preços da carne bovina permanecem firmes nos mercados de exportação. As condições de acesso aos Estados Unidos e a definição das cotas chinesas para 2027, porém, adicionam incertezas às operações dos frigoríficos.

Minerva: estoques nos EUA pressionam o caixa no curto prazo

De acordo com o BofA, os fluxos comerciais para os Estados Unidos continuam lentos durante a implementação das novas regras de importação. Nesse cenário, a Minerva vem formando estoques no país, movimento que pode pressionar seu capital de giro no terceiro trimestre.

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Na prática, a manutenção desses estoques deixa recursos aplicados em produtos que ainda precisam ser vendidos. O banco espera, contudo, uma melhora significativa no quarto trimestre de 2026.



Outra frente de atenção para os exportadores é a distribuição da cota de importação da China para 2027. Segundo o relatório, em um sistema por ordem de chegada, o volume disponível poderia se esgotar em quatro meses.

O setor defende uma distribuição escalonada, baseada na participação de mercado recente, para organizar o acesso ao mercado chinês ao longo do período.

Nos EUA, recuperação das margens ganha força

Enquanto o Brasil caminha para uma oferta mais apertada de gado, JBS e MBRF avaliam que o pior momento do ciclo de margens da carne bovina americana provavelmente já passou. A expectativa é de melhora adicional nos próximos trimestres.

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O BofA aponta três fatores por trás dessa recuperação: a retomada das importações de gado mexicano, o aumento do peso das carcaças e o fechamento recente de plantas, que elevou a utilização da capacidade instalada do setor para mais de 80%.

A demanda permanece resiliente, apesar dos preços dos cortes no atacado estáveis a ligeiramente menores na comparação trimestral.



As margens calculadas pela HedgersEdge melhoraram significativamente nas últimas semanas. Segundo o relatório, as empresas observam tendências semelhantes nos diferenciais efetivamente obtidos entre os preços de venda e os custos do gado.

O banco também retoma a sinalização dada pela JBS na teleconferência de resultados do segundo trimestre: a rentabilidade da operação americana de carne bovina deve melhorar em 2027, podendo voltar a se aproximar do ponto de equilíbrio.

Disciplina de capital entra no centro das prioridades

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Em meio a condições de crédito mais restritivas, as empresas estão reduzindo investimentos em expansão e priorizando a desalavancagem, segundo o BofA.

A Minerva diminuiu a parcela do lucro distribuída aos acionistas e mantém uma reserva de caixa acima do mínimo de R$ 10 bilhões. O objetivo é reduzir a alavancagem para uma faixa de 1,7 a 1,8 vez até o primeiro semestre de 2028.



Já a JBS está concentrada em trazer a relação entre dívida líquida e Ebitda de volta a uma faixa de segurança, de até 3 vezes, em 2027. Segundo o relatório, cerca de US$ 1 bilhão em dividendos está vinculado a esse objetivo.

A MBRF, por sua vez, está cortando investimentos e refinanciando dívidas de curto prazo. Entre as iniciativas citadas pelo banco estão o retorno ao mercado internacional de títulos de dívida e a oferta pública inicial de ações da Sadia Halal.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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