Economia

Bolsa Família, fim das bets e Desenrola: medidas somam impacto fiscal de R$ 55,8 bilhões em 2027, estima BTG

01 out 2026, 15:19
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(Imagem: Flickr/Banco do Brasil)

As novas medidas do governo, que incluem o reajuste do Bolsa Família, a proibição das bets e o Desenrola 3.0, devem ter impacto fiscal de R$ 55,8 bilhões em 2027, segundo estimativas do BTG Pactual. Embora o banco veja espaço para acomodar as iniciativas nas regras fiscais, o pacote aumenta a rigidez do orçamento e dificulta o ajuste necessário para estabilizar a dívida pública.

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No relatório de cenário macroeconômico de outubro, o BTG calcula que o maior impacto no próximo ano virá do Bolsa Família, com R$ 22,9 bilhões em despesas adicionais. A perda de arrecadação com o fim das bets aparece na sequência, com R$ 14,7 bilhões, seguida do Desenrola 3.0, com R$ 10 bilhões.

“As medidas aumentam a rigidez orçamentária e ampliam o impulso fiscal”, afirmam os economistas do banco. Isso significa que o governo terá menos flexibilidade para distribuir os recursos e que as iniciativas poderão estimular a atividade econômica.

Para 2026, o impacto estimado do conjunto de medidas é de R$ 22,3 bilhões, concentrado principalmente nas ações para suavizar os preços dos combustíveis.

De onde vêm os R$ 55,8 bilhões

O cálculo do BTG considera tanto o aumento de despesas quanto a redução de receitas. Além disso, reúne medidas com diferentes estágios de implementação e tratamentos nas regras fiscais.

MedidaImpacto fiscal estimado em 2027
Reajuste do Bolsa FamíliaR$ 22,9 bilhões
Fim das betsR$ 14,7 bilhões
Desenrola 3.0R$ 10 bilhões
Universalização do Pé-de-MeiaR$ 6,3 bilhões
Possível inclusão de canetas emagrecedoras no SUSR$ 2 bilhões
TotalR$ 55,8 bilhões
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No Bolsa Família, o relatório considera reajuste de 15,04% a partir de outubro, com aumento do piso de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio estimado passa de R$ 675 para R$ 777. Como se trata de uma despesa obrigatória, o aumento comprime o espaço para gastos que o governo pode decidir como distribuir.

Já os R$ 14,7 bilhões atribuídos ao fim das bets representam receitas que deixariam de entrar nos cofres públicos em 2027. Para 2026, a perda estimada pelo banco é de R$ 2,4 bilhões.

No caso do Desenrola 3.0, o desenho descrito no relatório prevê que a União compre carteiras de dívidas de até R$ 150 bilhões, com desconto mínimo de 90% e limite de desembolso de R$ 15 bilhões até 2028. O BTG distribui esse impacto entre R$ 5 bilhões em 2026 e R$ 10 bilhões em 2027.

O banco ressalta, porém, que o tratamento fiscal do programa ainda é incerto: não está claro se os desembolsos serão contabilizados dentro do limite de gastos e da meta fiscal.

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A conta também incorpora R$ 6,3 bilhões para a expansão do Pé-de-Meia, que passaria de 4,6 milhões para cerca de 7 milhões de estudantes em 2027. Segundo o BTG, a despesa entraria no mínimo constitucional da educação, reduzindo o espaço para outras políticas da área.

Para a possível inclusão de canetas emagrecedoras no SUS, o banco estima R$ 2 bilhões. O relatório menciona um pedido de incorporação de semaglutida e liraglutida à Conitec, com público-alvo ainda a definir. A hipótese adotada é que a despesa seja computada no mínimo constitucional da saúde.

As medidas para combustíveis, por sua vez, têm impacto estimado de R$ 9,1 bilhões em 2026, sem custo adicional projetado para 2027 nessa tabela.

Metas fiscais ainda podem ser cumpridas, mas dívida segue em alta

Apesar da pressão adicional, o BTG mantém como cenário-base o cumprimento das metas fiscais em 2026 e 2027. A avaliação é que a dinâmica mais favorável das despesas obrigatórias nos últimos anos, especialmente dos benefícios previdenciários, abriu espaço para acomodar novas despesas no limite de gastos.

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Isso não significa, porém, que todas as iniciativas afetem as regras da mesma forma. O relatório ressalta que os impactos têm efeitos distintos sobre a meta fiscal, o limite de gastos e os mínimos constitucionais de saúde e educação.

Para 2027, o banco reduziu a projeção de déficit primário do setor público de R$ 32 bilhões para R$ 27 bilhões, ou 0,2% do PIB. A melhora reflete receitas adicionais esperadas com a reforma tributária, parcialmente compensadas pela retirada da arrecadação das bets.

Ainda assim, a margem para cumprir a meta no próximo ano é estreita. Um crescimento econômico mais fraco poderia comprometer esse resultado, segundo o relatório.

A preocupação também permanece na trajetória da dívida. O BTG projeta que a dívida bruta alcance 83,3% do PIB em 2026 e 87,6% em 2027, diante dos déficits primários e do custo elevado dos juros.

Estímulos também limitam espaço para cortes da Selic

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O pacote tem implicações para a política monetária. Na avaliação do BTG, o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets podem impulsionar a atividade a partir do fim deste ano, reduzindo o espaço esperado para novos cortes de juros.

O banco incorporou os efeitos do aumento do benefício sobre a demanda à revisão da inflação de 2027, que passou de 4,4% para 4,8%. A nova projeção também considera um reajuste de 15% na gasolina no primeiro trimestre do próximo ano.

Nesse cenário, o BTG espera que a Selic permaneça em 13,75% até o fim de 2026, com redução para 12,50% ao término de 2027.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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