Brasil é compra para o JP Morgan, mas 3 fatores podem limitar reprecificação da bolsa
O JP Morgan segue com uma visão seletivamente otimista para as ações brasileiras, mantendo a avaliação de compra.
O banco privilegia empresas de maior qualidade e com uma visão macroeconômica favorável, principalmente aos setores financeiro, utilidades públicas e commodities. O JP reconhece, porém, que os fluxos de capital mais fracos e as eleições de outubro representam importantes fatores de volatilidade para a bolsa brasileira.
“O principal obstáculo de curto prazo continua sendo a saída de recursos do mercado. Desde meados de abril, os resgates já representam aproximadamente 50% de toda a entrada líquida de capital registrada no ano“, explica o banco.
De acordo com o JP Morgan, esse movimento reflete um ambiente global menos favorável à bolsa brasileira, marcado por:
- fortalecimento do dólar;
- aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries;
- concentração dos fluxos internacionais em mercados de tecnologia e inteligência artificial (IA), tornando o Brasil relativamente menos atrativo.
Já no cenário doméstico, como possíveis complicadores para uma potencial reprecificação ampla da bolsa, o JP menciona: um ciclo de redução de juros mais limitado e a perspectiva de taxas de juros elevadas por mais tempo.
“Além disso, as incertezas relacionadas às eleições continuam relevantes, especialmente diante das pesquisas que apontam para uma disputa acirrada em um eventual segundo turno”, acrescenta.
Entraves
Para o JP Morgan, embora as avaliações estejam atrativas, elas não representam, sozinhas, um catalisador suficiente para impulsionar o mercado brasileiro.
O MSCI Brazil negocia atualmente a 7,8 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, abaixo das 10,5 vezes registradas em janeiro e fevereiro, sendo que oito dos dez setores estão negociando abaixo de suas médias históricas.
“O crescimento esperado dos lucros é moderado, enquanto o posicionamento leve dos investidores e o elevado nível de posições vendidas tornam o mercado simultaneamente mais frágil e com maior potencial de valorização caso o sentimento melhore”, explica.
Na seleção de ações, o JP prioriza ações dos setores industrial, de consumo discricionário e financeiro que combinam três fatores:
- programas ativos de recompra de ações;
- elevado potencial de valorização em relação aos preços-alvo;
- melhora na dinâmica de resultados.
Na avaliação do banco, os principais fatores que podem favorecer o mercado estão uma melhora adicional do apetite global por risco e novos estímulos econômicos na China, capazes de beneficiar segmentos dos mercados emergentes fora do setor de tecnologia.