Mercados

Brasil é compra para o JP Morgan, mas 3 fatores podem limitar reprecificação da bolsa

03 jul 2026, 12:53 - atualizado em 03 jul 2026, 12:53
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(Imagem: Divulgação/B3)

O JP Morgan segue com uma visão seletivamente otimista para as ações brasileiras, mantendo a avaliação de compra.

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O banco privilegia empresas de maior qualidade e com uma visão macroeconômica favorável, principalmente aos setores financeiro, utilidades públicas e commodities. O JP reconhece, porém, que os fluxos de capital mais fracos e as eleições de outubro representam importantes fatores de volatilidade para a bolsa brasileira.

“O principal obstáculo de curto prazo continua sendo a saída de recursos do mercado. Desde meados de abril, os resgates já representam aproximadamente 50% de toda a entrada líquida de capital registrada no ano“, explica o banco.

De acordo com o JP Morgan, esse movimento reflete um ambiente global menos favorável à bolsa brasileira, marcado por:

  • fortalecimento do dólar;
  • aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries;
  • concentração dos fluxos internacionais em mercados de tecnologia e inteligência artificial (IA), tornando o Brasil relativamente menos atrativo.

Já no cenário doméstico, como possíveis complicadores para uma potencial reprecificação ampla da bolsa, o JP menciona: um ciclo de redução de juros mais limitado e a perspectiva de taxas de juros elevadas por mais tempo.

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“Além disso, as incertezas relacionadas às eleições continuam relevantes, especialmente diante das pesquisas que apontam para uma disputa acirrada em um eventual segundo turno”, acrescenta.

Entraves

Para o JP Morgan, embora as avaliações estejam atrativas, elas não representam, sozinhas, um catalisador suficiente para impulsionar o mercado brasileiro.

O MSCI Brazil negocia atualmente a 7,8 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, abaixo das 10,5 vezes registradas em janeiro e fevereiro, sendo que oito dos dez setores estão negociando abaixo de suas médias históricas.

“O crescimento esperado dos lucros é moderado, enquanto o posicionamento leve dos investidores e o elevado nível de posições vendidas tornam o mercado simultaneamente mais frágil e com maior potencial de valorização caso o sentimento melhore”, explica.

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Na seleção de ações, o JP prioriza ações dos setores industrial, de consumo discricionário e financeiro que combinam três fatores:

  • programas ativos de recompra de ações;
  • elevado potencial de valorização em relação aos preços-alvo;
  • melhora na dinâmica de resultados.

Na avaliação do banco, os principais fatores que podem favorecer o mercado estão uma melhora adicional do apetite global por risco e novos estímulos econômicos na China, capazes de beneficiar segmentos dos mercados emergentes fora do setor de tecnologia.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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