Caso Master: Flávio Bolsonaro admite ter visitado Daniel Vorcaro em casa após primeira prisão do banqueiro
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, admitiu ter visitado Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em sua casa em São Paulo após a primeira prisão do banqueiro, em 2025, por suspeita de fraudes no sistema financeiro.
A afirmação foi feita em entrevista a jornalistas nesta terça-feira (19) em Brasília, após reunião com a bancada do partido.
Segundo o senador, a visita teria sido após a troca de mensagens pelo celular, divulgada na semana passada pelo portal The Intercept, quando Vorcaro estava com tornozeleira eletrônica e em prisão domiciliar.
Em sua justificativa, o presidenciável afirmou que, desde maio do ano passado, Vorcaro deixou de honrar os compromissos que havia assumido em custear o financiamento do filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. E que a “virada de chave” que teve foi quando da prisão dele, em novembro passado.
“Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. E dizer que se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, já teria ido atrás de outro investidor [para o filme] há muito mais tempo”, disse o senador.
Ele afirmou, ainda, que foi uma “grande dificuldade nesse momento arrumar outros investidores para concluir o filme”.
Na declaração desta terça-feira, Flávio Bolsonaro reforçou que seu contato com Vorcaro foi “única e exclusivamente” para tratar de detalhes do filme.
A declaração desta terça-feira, por outro lado, contradiz falas anteriores de Flávio Bolsonaro, que afirmou que não havia estado pessoalmente com Vorcaro.
A família Bolsonaro apoiou, no ano passado, a produção de um filme em inglês chamado “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro, que agora cumpre uma sentença de 27 anos de prisão por planejar um golpe de Estado depois de perder a eleição de 2022. Atualmente ele está em prisão domiciliar por motivos de saúde.
Vorcaro está preso preventivamente desde março e foi transferido na segunda-feira a uma cela comum na carceragem da Polícia Federal em Brasília após ter acabado de preparar os anexos da sua proposta de delação premiada para entregar a investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, segundo uma fonte a par das tratativas.
Se o pacote da delação for aceito pelos investigadores, o pedido de colaboração seguirá para homologação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do inquérito que envolve as fraudes do Banco Master.
* Com informações da Reuters