Trabalho

Lula: ‘fim da escala 6×1 respeitará especificidades de cada categoria e ninguém vai impor na marra’

19 maio 2026, 13:38 - atualizado em 19 maio 2026, 13:38
Presidente Lula é homenageado pela CBIC durante evento em São Paulo (Ricardo Stuckert/PR)

Não fiquem assustados, o fim da escala 6×1 é necessário”. Assim, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tentou tranquilizar uma plateia majoritariamente de empresários na abertura do Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), nesta terça-feira (19), em São Paulo. Segundo o presidente, a redução da jornada de trabalho, ainda discutida no Congresso, será aplicada levando-se em contra a especificidade de cada categoria. “Ninguém vai impor na marra”, completou.

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A fala de Lula foi em resposta a parte o discurso do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato de Sousa Correia, que demonstrou preocupação com a redução de jornada em um setor que já enfrenta escassez de mão-de-obra.

“O desafio de redução de jornada é tema que nos preocupa. A forma como será feita. Mas acredito que o Sr. vai trabalhar para que o impacto não seja relevante”, disse Correia, que também citou a taxa de juros, o endividamento das famílias e o aumento de custos como outros pontos preocupantes.

Apesar das cobranças, o clima foi troca de afagos e elogios públicos entre Correia e Lula. O presidente da CBIC disse que durante os governos do presidente da República o setor “avançou muito” o que levaram a construção e a infraestrutura a ter 3 milhões de empregados, com maior salário de entrada da economia e que movimenta outros 90 setores.

“Colocamos R$ 800 bilhões todos os anos no Brasil, 20% é investimento público e 80% privado”, disse o executivo. Em reconhecimento público, Correia quebrou o protocolo e entregou a Lula uma placa de reconhecimento “pelos serviços prestados, combate ao déficit habitacional e pelo fomento à infraestrutura”. Foi, segundo o executivo, a primeira vez que um presidente da República recebeu essa homenagem da CBIC.

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Na sua fala, Lula elogiou a relação boa com Correia, que encerra o mandato em julho à frente da entidade setorial, o classificou como um dos mais verdadeiros representantes setoriais do País e pediu que os empresários e representantes de entidades industriais e setoriais se espelhem no executivo.

Para a plateia, Lula disse que a relação do governo e o setor é uma mão de duas vias. “Eu preciso de vocês para gerar emprego, construir casa, obras de infraestrutura e vocês precisam de mim para dar financiamento”.

Como recorrentemente faz, Lula relembrou as dificuldades enfrentadas pela família no passado com imóveis pequenos e elogiou a pauta de reivindicações recebida no evento para um novo afago ao setor. “É assim que empresários sérios agem. A pauta que recebi, a Miriam Belchior (ministra da Casa Civil) vai assumir a responsabilidade, ela vai reunir ministros e vai responder antes de julho”, disse

Bronca na Caixa

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O presidente citou dados da Caixa Econômica Federal, que atingiu uma carteira de R$ 966,2 bilhões de crédito imobiliário, uma fatia de financiamento de 68% do mercado. Mas Lula cobrou o presidente do banco, Carlos Vieira, sobre o programa de financiamento de reformas em residências, que “não está rodando” do jeito que deveria estar, segundo ele.

“Chamarei o Carlos no meu gabinete para explicar por que esse programa não está rodando. Colocamos R$ 30 bilhões no programa e não está andando e posso dizer que é a burocracia. Deve ter alguma coisa que você precisa colocar o dedo na ferida, Carlos, para me apresentar semana que vem e que a gente possa desembuchar esse dinheiro”, afirmou.

Dentro do lema “governar é tomar decisão e escolher para quem quer governar”, Lula elogiou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, classificado por ele como “descobridor de dinheiro” para o financiamento e programas do governo.

E não é dinheiro do Banco Master. Ele descobre o que está perdido no Tesouro, descobriu até dinheiro que ninguém vai atrás e que pode até ser de morto. Os mortos agradecerão se for bem utilizado”, brincou.

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Luta contra violência feminina é dos homens

Ao lado das ex-ministras e pré-candidatas ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), o presidente afirmou que a luta a violência feminina “não é das mulheres, é nossa, dos homens. e essa é uma briga que os empresários podem contribuir para construir uma sociedade menos violenta e mais respeitosa com as mulheres”, afirmou Lula.

Ele citou a lei da igualdade salarial entre mulher e homem que trabalham na mesma função, criada no governo atual e que foi questionada na Supremo Tribunal Federal (STF). “A Suprema Corte decidiu em nosso favor e não podemos nem mudar”, concluiu.

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Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
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