Comprar ou vender?

XP (XP) frustra com resultado e ação tomba 5% em NY; é hora de vender?

19 maio 2026, 12:27 - atualizado em 19 maio 2026, 12:27
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(Imagem: Divulgação/ Nasdaq)

As ações da XP Inc (XP) no Nasdaq recuam mais de 4% após o balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26) e anúncio de novo CFO da companhia. Analistas do mercado avaliaram o resultado como mais fraco, pendendo para o lago negativo.

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A empresa reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,318 bilhão no período, um avanço de 7% na comparação anual e queda de 1% em relação ao quarto trimestre de 2025. A receita bruta atingiu R$ 4,919 bilhões no 1T26, um aumento de 8% ante o mesmo período do ano anterior e recuo de 2% na comparação com os últimos três meses de 2025.

O varejo teve receita de R$ 3,773 bilhões, avanço de 10% na comparação anual, mas 2% menor ante o quarto trimestre de 2025. Já o banco de atacado teve receitas de R$ 1,146 bilhão, alta de 26% ante o mesmo período do ano anterior e recuo de 8% na comparação com o último trimestre de 2025.

Por volta das 12h16 (horário de Brasília), a XP recuava 5,33%, a US$ 16,42 no Nasdaq. Já na bolsa brasileira, por outro lado, XPBR11 caía 1,62%, a R$ 83,03, às 12h02.



A XP anunciou ainda que o CFO da companhia, Victor Mansur, está deixando o cargo, sendo sucedido pelo ex-CFO do Santander Brasil Gustavo Alejo, além de dividendos a caminho.

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Core fraco

O Banco Safra considera que o resultado da XP foi fraco no core, com a frustração no lucro líquido sendo explicada pela alíquota efetiva de imposto de 9,9%, ante uma expectativa de 7,2%, o que transformou o EBT (lucro antes dos impostos) antes em linha em uma perda no lucro líquido.

“Dito isso, o mix de receitas merece um olhar mais atento: renda fixa ficou 15% abaixo das nossas estimativas, pressionada pela volatilidade de spreads de crédito, enquanto outros varejo (principalmente receitas de float) surpreenderam positivamente em 9%, compensando em grande parte a queda”, detalha o Safra.

Na avaliação do banco, a normalização de spreads e a recuperação de atividade da XP devem ser mais concentradas na segunda metade do ano. “Com o consenso ainda incorporando crescimento de receita em baixos dois dígitos para o ano, vemos esse resultado como um catalisador levemente negativo para revisões de lucros”, afirma.

O branco estima que o mercado deve agora convergir para uma projeção de cerca de R$ 5,5 bilhão a R$ 5,6 bilhão de lucro líquido em 2026, ancorado em controle de despesas, mas limitado por desafios na receita.

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Já a mudança de gestão foi avaliada pelo Safra como potencialmente positiva para a expansão de operações de atacado e crédito da XP, devido ao background bancário de Alejo.

O Safra mantém a recomendação neutra e o preço-alvo de US$ 23, com potencial de valorização de 33% em relação ao fechamento anterior (18).

Cenário desafiador no curto prazo

Para o Bradesco BBI, o resultado da XP Inc. é neutro a levemente negativo, refletindo um cenário ainda desafiador para a empresa no curto prazo. “Apesar da resiliência das receitas — especialmente em renda variável e varejo —, a pressão observada na renda fixa, decorrente da abertura de spreads, deve continuar afetando o desempenho no segundo trimestre de 2026, ainda que com menor intensidade”, explica.

Além disso, a BBI menciona a desaceleração relevante da captação líquida, com destaque para saídas no segmento corporate, reforça a menor visibilidade sobre o crescimento de ativos e receitas recorrentes.

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Do lado operacional, a banco considera que a compressão de margens da XP evidencia um ambiente mais competitivo e de maior custo, enquanto o posicionamento da margem EBT no piso do guidance indica espaço limitado para revisões positivas nas expectativas de mercado no curto prazo.

“Ainda assim, enxergamos fundamentos estruturais, como a capacidade de diversificação de receitas, forte geração de caixa, elevada capitalização e política ativa de retorno ao acionista”, afirmam os analistas do BBI.

Ainda assim, o cenário da XP segue dependente da evolução dos spreads, condições de mercado e da retomada mais consistente da atividade no mercado de capitais, considera.

O Bradesco BBI segue com recomendação de compra para XPBR31, com preço-alvo de R$ 120, o que implica um potencial de valorização de 42,18% em relação ao fechamento anterior.

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1T26 impactado pela abertura dos spreads

Para o BTG Pactual, a XP reportou um trimestre mais fraco do que o esperado, com receita líquida, EBT e lucro líquido vindo cerca de 3% abaixo do consenso, refletindo principalmente o impacto negativo de marcação a mercado causado pela abertura dos spreads de crédito em março sobre posições de crédito mantidas em carteira.

No geral, e como já havia sido sinalizado pelo CEO quando nos reunimos com ele em meados de abril, 2026 começou de forma forte para a XP, mas março claramente interrompeu o momentum, avalia o BTG. O papel é negociado a 8,6x o múltiplo de lucro dos últimos doze meses, com valuation ainda considerado atrativo.

“Dito isso, o momentum perdeu força na margem, enquanto várias outras instituições financeiras brasileiras também estão negociando a valuations interessantes”, considera o banco.

Além disso, o BTG destaca que, como uma tese de maior ligada ao mercado de capitais brasileiro, a XP provavelmente precisará de um cenário macro e de mercado mais construtivo para passar por uma reprecificação positiva.

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O BTG manteve a recomendação de compra e o preço-alvo de US$ 25, o que implica um potencial de valorização de 44,2%.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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