Cosan (CSAN3) reduz prejuízo no 1T26, mas dívida e resultado financeiro seguem pressionando
A Cosan (CSAN3) reportou prejuízo líquido de R$ 1,58 bilhão no primeiro trimestre de 2026, uma melhora de 11% em relação às perdas de R$ 1,79 bilhão registradas no mesmo período do ano passado.
O resultado veio em meio à melhora operacional das investidas da holding, mas ainda pressionado pelo elevado resultado financeiro e pelos custos ligados à reestruturação da dívida.
A companhia destacou que o trimestre foi impactado por cerca de R$ 1 bilhão em efeitos não recorrentes relacionados às liquidações antecipadas de bonds com vencimentos em 2029, 2030 e 2031, registrados nas linhas de resultado financeiro e imposto diferido.
No consolidado, a receita líquida caiu 7% na comparação anual, para R$ 9,03 bilhões, enquanto o Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) ajustado avançou 60%, para R$ 3,34 bilhões.
Entre as principais investidas, a Rumo (RAIL3) teve um dos destaques positivos do trimestre. O Ebitda ajustado da companhia ferroviária cresceu 7%, para R$ 1,74 bilhão, impulsionado pelo avanço de 25% no volume transportado, especialmente na operação Norte, beneficiada pelo escoamento de grãos e pela diluição de custos fixos.
A Compass também apresentou crescimento operacional. O Ebitda subiu 2%, para R$ 1,33 bilhão, refletindo maiores volumes distribuídos de gás natural, melhora de mix e expansão das operações da Edge. A companhia destacou ainda que, ajustando efeitos de timing em cargas de GNL, o crescimento do Ebitda teria sido de 12% na comparação anual.
Já a Moove registrou Ebitda praticamente estável, em R$ 236 milhões, mesmo com avanço de 10% nos volumes vendidos de lubrificantes. A margem Ebitda recuou para 9,6%, enquanto a empresa destacou ganho de participação de mercado no Brasil e redução da alavancagem para 1,3 vez.
Na Radar, o Ebitda caiu 27%, para R$ 103 milhões, pressionado pela queda nos preços de açúcar recuperável total (TRS) e da soja, além da ausência de ganhos com venda de ativos observados no primeiro trimestre de 2025.
O principal peso do trimestre continuou vindo da estrutura financeira da holding. O resultado financeiro ficou negativo em R$ 1,09 bilhão, piora de 51% frente ao mesmo período do ano passado.
Segundo a Cosan, o movimento refletiu os custos associados à pré-liquidação de bonds e debêntures, incluindo prêmios, aceleração de juros, marcação a mercado de hedge e variação cambial.
A dívida líquida expandida da holding encerrou março em R$ 11,5 bilhões, alta de 18% frente ao trimestre anterior, refletindo a ausência de entrada relevante de dividendos e os desembolsos extraordinários ligados à gestão do passivo. Na comparação anual, porém, houve queda de 34%, beneficiada pela capitalização realizada no fim de 2025.
A Cosan terminou o trimestre com caixa de R$ 7,7 bilhões, após desembolsos relevantes para amortização de principal e pagamento de despesas financeiras.
A companhia também destacou, entre os eventos relevantes do período, a conclusão do IPO da Compass, que gerou cerca de R$ 2,1 bilhões líquidos para a Cosan, além do pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, cuja participação contábil na holding já havia sido reduzida a zero no fim de 2025.