Cyrela (CYRE3): Bradesco BBI corta preço-alvo, mas ainda vê potencial de quase 60% de alta dos papéis; entenda o ‘ajuste’
O Bradesco BBI reduziu o preço-alvo para as ações da Cyrela (CYRE3), de R$ 41 para R$ 36, após revisar para baixo as projeções de lucro para a companhia. Apesar do ajuste, a recomendação de compra foi mantida.
O novo valor representa um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 59% frente à cotação do último fechamento (25) dos papéis, de R$ 22,67.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (26), o banco apontou que a nova projeção para o lucro líquido da construtora é de R$ 1,8 bilhão em 2026, uma redução de 10% em relação à estimativa anterior e cerca de 7% abaixo do consenso de mercado.
Segundo a casa, o corte reflete um cenário mais cauteloso para o setor de construção civil após os resultados do primeiro trimestre (1T26), além de um ambiente ainda marcado por incertezas macroeconômicas, como juros elevados, riscos globais e volatilidade doméstica.
Entre janeiro e março, a Cyrela registrou lucro líquido de R$ 297 milhões, queda de 9% em relação a igual período de 2025, enquanto a receita líquida somou R$ 2,02 bilhões, crescimento de 4% na mesma base de comparação.
Em média, analistas esperavam lucro líquido de R$ 394 milhões e receita líquida de R$ 2,2 bilhões, de acordo com previsões compiladas pela LSEG.
“Embora a Cyrela apresente valuation atrativo, sua tese depende mais diretamente de um contexto doméstico favorável e de uma retomada ampla do mercado, além de carecer de suporte via dividendos e momentum de resultados no curto prazo”, destacou o BBI, que afirmou ter desenvolvido um modelo de análise (framework) de cenários que combinam diferentes vetores macro e seus impactos sobre lucros e precificação.
“Assim, mantemos preferência estrutural pelos nomes de baixa renda, que entregam melhor relação entre risco e retorno na maioria dos cenários analisados”, prosseguiu.
Preferência por baixa renda
Nesse contexto, a Cury (CURY3) aparece como o principal destaque, segundo o banco, com dividend yield estimado em cerca de 15% entre o segundo semestre de 2026 e 2027, com potencial de reprecificação caso haja melhora no ambiente global.
Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) também são citadas pela casa como alternativas mais defensivas, com menor sensibilidade a juros e custos.
“Entendemos que o setor [de construção] oferece um ponto de entrada atrativo, mesmo diante da incerteza macro, com destaque para as companhias de baixa renda, que combinam valuation descontado, yield elevado e maior resiliência em diferentes cenários”, pontuou o BBI
“Cury se destaca como nossa preferência, pela combinação de retorno via dividendos, consistência operacional e maior potencial de reclassificação de múltiplos. Direcional e Tenda também apresentam características defensivas relevantes, especialmente em ambientes mais adversos”, acrescentou.
Ainda de acordo com o relatório, em termos de valuation, o setor negocia próximo às mínimas de múltiplos dos últimos anos, com construtoras de baixa renda a cerca de 4,5 vezes o lucro projetado para 2027.