Mercados

Dois terços dos grandes investidores dos EUA estão preocupados com bolha da IA

19 maio 2026, 10:53 - atualizado em 19 maio 2026, 10:53
mão robótica e mão de humano quase se tocando, com AI escrito no meio
Inteligência artificial - Foto: Unsplash

A inteligência artificial (IA) segue vista como uma das principais apostas de longo prazo do mercado, mas os investidores ainda enxergam riscos relevantes de exagero nas avaliações e de uma possível bolha no curto prazo. É o que mostra uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (19) pela Janus Henderson com 1.000 investidores norte-americanos de alta renda e patrimônio elevado.

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Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados afirmaram estar preocupados com uma possível bolha de IA ou uma correção de mercado impulsionada pela tecnologia nos próximos 12 meses. Ainda assim, 61% acreditam que a inteligência artificial terá impacto positivo nos retornos do mercado ao longo dos próximos cinco anos.

A principal preocupação apontada pelos investidores é que a IA não corresponda às expectativas criadas pelo mercado, citada por 28% dos entrevistados. Em seguida aparecem receios ligados a vieses, mau uso ou salvaguardas insuficientes (24%) e ao risco de superavaliação dos investimentos ligados à tecnologia (19%).

Apesar do receio de curto prazo, quase metade dos investidores (48%) disse estar “muito” ou “moderadamente” confiante de que empresas fortemente expostas à IA conseguirão entregar retornos superiores no longo prazo.

Entre os millennials, esse percentual sobe para 76%, mostrando uma diferença geracional importante em relação aos investidores mais velhos.

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“O ceticismo em relação à IA é compreensível, mas os investidores correm o risco de não conseguir distinguir o ruído de valuation das mudanças estruturais de longo prazo”, afirmou Denny Fish, gestor de portfólio da equipe global de Tecnologia e Inovação da Janus Henderson. “Não haverá tema secular maior do que a IA em nossa geração.”

A pesquisa também mostrou que os investidores seguem desconfiados da utilização da IA para decisões financeiras. As principais barreiras apontadas foram preocupações com possíveis vieses ou conflitos de interesse nas recomendações (75%), privacidade e segurança de dados (74%), preferência por métodos tradicionais (73%) e falta de confiança em recomendações geradas por IA (72%).

Mesmo assim, a aceitação cresce quando a IA é usada como ferramenta de apoio operacional. Segundo o estudo, 87% dos investidores disseram se sentir confortáveis ou indiferentes ao uso da tecnologia por assessores financeiros para criar materiais educativos ou executar tarefas administrativas.

Já o desconforto aumenta quando a IA entra em atividades mais sensíveis: 40% afirmaram que ficariam incomodados se assessores utilizassem IA para responder automaticamente mensagens e e-mails, enquanto 33% disseram rejeitar recomendações de investimento feitas pela tecnologia.

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A demanda por transparência também apareceu como um dos principais pontos do levantamento. Cerca de 79% dos entrevistados disseram que ficariam incomodados se descobrissem que seus assessores usam IA sem avisar previamente os clientes, enquanto 85% afirmaram considerar o assessor humano como responsável final por orientações ou materiais produzidos com apoio da tecnologia.

“Embora tenha potencial para ser uma ferramenta valiosa nas práticas de assessoria, os assessores precisarão implementar a IA de forma estratégica e cuidadosa”, afirmou Matt Sommer, diretor do Grupo de Consultoria Especializada da Janus Henderson. “A demanda por tomada de decisão conduzida por humanos e por conexão pessoal não será substituída pela inteligência artificial.”

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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