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Habitação popular sustenta construtoras no 1T26, diz JP Morgan; veja quem se destacou

19 maio 2026, 11:21 - atualizado em 19 maio 2026, 11:21
construtoras construção civil (Imagem: JONGHO SHIN/istockphoto) ID da foto: 862758024
Habitação popular sustenta construtoras no 1T26, diz JP Morgan; veja quem se destacou (Imagem: JONGHO SHIN/istockphoto)

As construtoras listadas em bolsa iniciaram 2026 com um cenário ainda positivo em termos de rentabilidade, mas com sinais de perda de fôlego na atividade operacional, segundo avaliação do JP Morgan.

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Em relatório, o banco norte-americano apontou que o grande destaque do setor segue sendo o segmento de baixa renda, que continua apresentando crescimento mais forte e maior previsibilidade quando comparado ao médio e alto padrão.

Segundo a casa, no nicho econômico, as receitas das companhias avançaram entre 21% e 43% no primeiro trimestre (1T26) na comparação anual, com margens brutas próximas de máximas históricas, variando entre 27% e 41%.

O lucro também cresceu na maior parte das incorporadoras, sustentado por demanda ainda resiliente, repasses de preços indexados ao INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) e ganhos de eficiência.

Os destaques do 1T26, na visão do JP Morgan

Entre os principais destaques do primeiro trimestre, o relatório cita Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) na habitação popular. A primeira foi apontada como um dos nomes mais fortes da baixa renda, com melhora consistente de resultados, avanço de margens e geração de caixa robusta.

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Entre janeiro e março, a Tenda teve lucro líquido consolidado de R$ 183,4 milhões, mais que o dobro do resultado positivo de um ano antes e acima dos R$ 130 milhões esperados pelo mercado.

O banco destaca a postura conservadora da construtora em relação à inflação e o nível muito baixo de estoque concluído, equivalente a cerca de 1% das vendas dos últimos 12 meses.

Já a Cury, na avaliação do JP Morgan, segue como referência operacional dentro do nicho econômico, também combinando crescimento de lucro, vendas em ritmo elevado e margens sustentadas em patamar alto.

De acordo com a casa, a companhia registrou avanço anual de receita e lucro líquido, de 33% e 42%, respectivamente, mantendo-se como uma das empresas com maior velocidade de comercialização.

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Baixa renda: outras companhias

A Direcional (DIRR3) também aparece no relatório como um dos destaques da baixa renda, apoiada em estrutura de custos eficiente e alavancagem controlada.

A construtora, que também tem um pé no médio padrão por meio da marca Riva, registrou, no 1T26, crescimento anual de 30% tanto na receita quanto no lucro líquido.

Por outro lado, o banco apontou que a Plano&Plano (PLPL3) teve desempenho mais pressionado, com queda de 39% no lucro líquido frente ao 1T25.

Médio e alto padrão

No segmento de média e alta renda, o cenário no primeiro trimestre foi mais heterogêneo. Segundo o JP Morgan, em alguns casos, até houve avanço relevante de lucro, mas, em outros, quedas expressivas, refletindo a maior sensibilidade desse grupo ao ambiente de juros elevados.

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Na avaliação da casa, Moura Dubeux (MDNE3) apresentou o maior crescimento de lucro líquido entre as companhias analisadas, com alta de 121% na comparação anual, além de expansão de 6,3 pontos percentuais na margem bruta.

Em sentido oposto, a Helbor (HBOR3) registrou queda de 75% no lucro líquido, evidenciando a assimetria de desempenho dentro do segmento.

Desafios no horizonte

O JP Morgan também destacou que as construtoras e incorporadoras seguem monitorando fatores que podem pressionar os resultados nos próximos meses. Entre eles, estão:

  • Inflação de custos: as projeções para o INCC em 2026 subiram para a faixa de 7% a 9%, impulsionadas pelo impacto da alta do petróleo devido ao conflito no Irã;
  • Mão de obra: a escassez de trabalhadores e a baixa produtividade foram citadas como preocupações primordiais por diversas companhias, como Cyrela, Lavvi e Moura Dubeux.

No caso da baixa renda, porém, as empresas indicaram que a inflação projetada para 2026 está abaixo do que vem sendo observado na prática, além de contarem com mecanismos de proteção via contratos corrigidos e reajustes de preços.

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“As companhias sinalizaram que a inflação atual é muito menos severa do que a da época da pandemia, quando o INCC atingiu 20%. A escassez de mão de obra, no entanto, continua sendo uma preocupação”, disse o banco.

Campo operacional

O relatório aponta ainda sinais de desaceleração operacional como um dos pontos de atenção. De acordo com a casa, tanto lançamentos quanto vendas perderam ritmo quando observados em base de 12 meses em ambos os segmentos.

O volume de lançamentos ficou praticamente estável em R$ 14 bilhões, alta de apenas 1% na comparação anual. Já a velocidade de vendas (VSO) agregada ficou estável em 19,4%

Por fim, o JP Morgan afirma que a alavancagem do setor permanece em “níveis administráveis”, com média próxima de 29% sobre patrimônio, contra 26% no 1T25 e 32% no 4T25.

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O banco norte-americano até aponta o leve aumento em relação ao ano anterior, mas sem sinais de deterioração relevante nos balanços das companhias.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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