Exclusivo: CEO do Méliuz (CASH3) explica prejuízo de R$ 76 milhões com Bitcoin (BTC); ‘convicção no ativo segue inalterada’
O Méliuz (CASH3) publicou seu balanço referente ao primeiro trimestre deste ano (1T26) na noite desta quinta-feira (14). Apesar do resultado positivo (veja mais abaixo), o lucro ainda deixou a desejar, o que pode levantar questionamentos sobre a rentabilidade da estratégia de alocação de caixa em Bitcoin (BTC) da empresa.
“Estamos gerando caixa e yield para o investidor, e é isso que importa”, explicou Gabriel Loures, CEO do Méliuz (CASH3), em entrevista exclusiva ao Crypto Times. Segundo os resultados da empresa, o prejuízo contábil com Bitcoin no trimestre foi de R$ 76 milhões, o que se converteu em um prejuízo líquido de R$ 60,1 milhões.
O executivo, que assumiu o comando da empresa em novembro de 2024, afirma que o negócio principal do Méliuz — isto é, ser uma empresa de tecnologia financeira — vem crescendo de modo acelerado e que a geração de caixa operacional é fundamental para a estratégia de entregar um melhor Bitcoin Yield para os investidores.
Voltando alguns passos, o Bitcoin Yield é uma estratégia de gerar rendimentos adicionais sobre as reservas de Bitcoin de uma empresa. Isto é, gerar uma espécie de “juros” além da valorização do próprio ativo por meio de uma gestão das reservas.
“Quando eu estou crescendo, eu consigo gerar mais caixa para comprar mais Bitcoin”, explica. “É o resultado operacional que vai permitir comprar mais BTC ou mais ações”.
Recentemente, a estratégia de recompra de ações tem sido uma alternativa das Bitcoin Treasuries para gerar yield para os investidores, como é o caso do próprio Méliuz e da OranjeBTC (OBTC3) em meio a uma estagnação ou mesmo queda de preços do BTC.
“Ao recomprar as ações, eu reduzo o denominador na relação de Bitcoins por ação, logo, eu também estou aumentando a exposição do acionista ao BTC indiretamente”.
Loures ainda explica que o Méliuz gerou R$ 30 milhões em caixa nos últimos seis meses, o que mostra a “força geradora de caixa” da empresa.
“Em taxa anualizada, o programa de recompra representou um BTC Yield de 12,42%. E reforço: nossa convicção no ativo segue inalterada, apesar da flutuação de curto prazo, que gerou um impairment na visão finda no 1T26, mas que já será parcialmente revertida considerando valores atuais de mercado”, escreveu o CEO aos acionistas, junto do balanço.
Volatilidade das ações do Méliuz (CASH3) e o Bitcoin (BTC)
Sobre a volatilidade da criptomoeda, o CEO do Méliuz entende que os investidores endentem a tese de investimento em BTC e movimentam as ações no instante que percebem alguma movimentação dos preços.
“O Bitcoin é a única parte do nosso negócio que é visível real time. A cada segundo você vê o preço se mexendo e as ações refletem esse valor”, explica. “Mas se você fizer um gráfico de correlação com o BTC, o CASH3 cresce mais rápido que o preço do Bitcoin e cai mais devagar com a queda do ativo”.
Loures entende que esse movimento é explicado pelo fato de a empresa não ser “só de Bitcoin”, mas possuir um negócio operacional lucrativo, independentemente da criptomoeda.
Pente-fino no balanço
No balanço do 1T26, as receitas atingiram um recorde em R$ 118,2 milhões para o primeiro trimestre, um crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo segmento de Shopping Brasil, que cresceu 31% na mesma base.
O Ebitda (métrica do mercado para avaliar a geração de caixa de uma empresa) ajustado consolidado foi de R$ 30,1 milhões no 1T26, também um recorde para o primeiro trimestre, com uma expansão de 74% na comparação anual.
No acumulado dos últimos 12 meses e até o fechamento do primeiro trimestre deste ano, o Ebitda superou os R$ 100 milhões, de acordo com o release de resultados.
Os resultados foram majoritariamente impulsionados pelo uso de Inteligência Artificial (IA) nos negócios. “A estratégia continua sendo muito consistente, mas estamos fazendo duas vezes mais rápido. Estamos codando [gerando linhas de código] duas vezes mais rápido do que no passado”.
“É como se a gente tivesse adicionado diesel de aviação nos negócios”, brinca o CEO do Méliuz.
Recentemente, o UBS BB publicou um relatório atualizando as estimativas dos resultados do Méliuz, apontando uma melhora operacional estrutural da empresa
Os analistas previam que o core business do Méliuz opera com uma relação EV/Ebitda (valor da empresa sobre geração de caixa) de 1,3x, o que representa um múltiplo de preços sobre lucro projetado (P/L) de 3,7x para 2026 e 2027. No balanço, o Méliuz registrou um EV/Ebitda da ordem de 1,35x.
Veja as principais linhas do balanço do Méliuz (CASH3)
| Indicador | 1T26 | 1T25 | Var. |
| Receita líquida | R$ 118,2 mi | R$ 100,4 mi | 18% |
| EBITDA ajustado | R$ 30,1 mi | R$ 17,3 mi | 74% |
| EBITDA | -R$ 46,3 mi | R$ 15,4 mi | -401% |
| Margem EBITDA ajustada | 25,50% | 17,30% | +8,2 p.p. |
| Lucro ajustado | R$ 16,3 mi | R$ 12,0 mi | 36% |
| Lucro líquido | -R$ 60,1 mi | R$ 10,0 mi | -701% |
| Impacto Bitcoin no resultado | -R$ 76,4 mi | -R$ 2,0 mi | 3770% |
| Posição em Bitcoin | ₿ 604,7 | — | — |
| Valor da carteira de Bitcoin | R$ 215,4 mi | R$ 21,7 mi | 892% |