Grupo Mateus (GMAT3) vê lucro cair 21,8% no 1T26, para R$ 212,9 milhões
O Grupo Mateus (GMAT3) reportou lucro líquido atribuído aos controladores de R$ 212,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 21,8% na comparação anual.
A receita líquida avançou 12,9% no período, para R$ 9,4 bilhões, impulsionada principalmente pela consolidação do Novo Atacarejo, pelo crescimento do atacado B2B (negócio para negócio, na sigla em inglês) e pelo avanço das vendas no segmento de eletro. Apesar disso, o indicador de vendas nas mesmas lojas (SSS) ficou negativo em 7,3%.
Segundo a companhia, o desempenho foi impactado pela “deflação de alimentos, especialmente de commodities”, além do maior nível de endividamento das famílias e da mudança no perfil da cesta de consumo. O grupo afirmou ainda que manteve a estratégia de priorizar rentabilidade em detrimento de volume em alguns canais.
“A estratégia de preservação de margem bruta resultou em perda de parte do volume de vendas, uma vez que tais canais eram detratores de margem e geravam movimento competitivo contra a própria Companhia”, afirmou a varejista no balanço, divulgado na noite desta quinta-feira (14).
Mesmo com a pressão sobre vendas, o lucro bruto cresceu 16,1%, para R$ 2,15 bilhões, enquanto a margem bruta avançou 0,7 ponto percentual, para 22,9%, beneficiada justamente pela estratégia de foco em rentabilidade e pela otimização comercial junto a fornecedores.
O Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em ingles) pós-IFRS 16 somou R$ 543 milhões no trimestre, queda de 7,3%, com margem EBITDA de 5,8%, retração de 1,3 ponto percentual na base anual. Já o Ebitda pré-IFRS 16 caiu 18,2%, para R$ 399,8 milhões, com margem de 4,3%.
A companhia destacou que a desaceleração do crescimento da receita provocou desalavancagem operacional, embora parte desse efeito tenha sido compensado pela melhora da margem bruta.
As despesas operacionais totalizaram R$ 1,64 bilhão, alta de 29,3%, refletindo principalmente a consolidação do Novo Atacarejo. Excluindo esse efeito, as despesas cresceram 10,8%, impactadas pela abertura de lojas e pela expansão do atacado B2B.
Ainda assim, o grupo afirmou que projetos de produtividade começaram a mostrar resultados ao longo do trimestre. Segundo a empresa, desconsiderando despesas não recorrentes de R$ 26 milhões relacionadas a rescisões, as despesas operacionais de março representaram 16,5% da receita líquida — 0,9 ponto percentual abaixo da média do trimestre.
“O foco foi adequar estruturas operacionais e capturar ganhos de eficiência nas lojas e áreas operacionais da Companhia”, afirmou o grupo.
No resultado financeiro, a despesa líquida ficou em R$ 222,1 milhões, alta de 22,6% na comparação anual, pressionada principalmente pelas despesas de arrendamento e pelos juros. Na comparação trimestral, porém, houve melhora de 27,6%, beneficiada pela redução de despesas com adquirentes e amortização de dívidas.
A companhia também destacou o efeito positivo do benefício fiscal relacionado à subvenção para investimento, que ajudou a compensar parcialmente a piora operacional e financeira do trimestre.
Do lado operacional, o Grupo Mateus encerrou março com 228 lojas de varejo alimentar e abriu quatro unidades no trimestre, sendo três atacarejos Mix Mateus e um supermercado. A companhia terminou o período com 306 unidades totais em operação e 18 centros de distribuição.
Apesar da pressão sobre os resultados, o trimestre trouxe melhora relevante na geração de caixa. O ciclo de conversão de caixa caiu para 40 dias, melhora de 16 dias em relação ao primeiro trimestre de 2025.
A geração de caixa totalizou R$ 323,5 milhões no trimestre, contribuindo para a redução da dívida líquida para R$ 735,9 milhões. Com isso, a alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA pré-IFRS 16 caiu para 0,33 vez, ante 0,41 vez no fim de 2025.