Fazenda projeta inflação ainda dentro da meta para 2026, mas vê riscos altistas
O Ministério da Fazenda ajustou a projeção de inflação mediana deste ano de 3,7% para 4,5%, ainda dentro da banda de tolerância da meta estabelecida pelo Banco Central, segundo o Boletim MacroFiscal da Secretária de Política Econômica (SPE), divulgado nesta segunda-feira (18).
Segundo a SPE, a revisão reflete uma combinação de fatores altistas e baixistas. Entre as pressões para cima, estão a disparada das estimativas para o petróleo, os resultados recentes do IPCA acima do esperado e a perspectiva de inflação mais persistente nos alimentos. Já a apreciação esperada do câmbio, a expectativa de juros mais altos ao longo de 2026 e medidas mitigatórias ajudam a conter parte da pressão inflacionária.
A estimativa para o preço médio do petróleo em 2026 saltou de US$ 73,09 para US$ 91,25 por barril, avanço de cerca de 25%. Em contrapartida, a projeção para o câmbio médio caiu de R$ 5,32 para R$ 5,16 por dólar, indicando apreciação de aproximadamente 3% do real frente à moeda norte-americana.
O relatório também destaca que, diferentemente de 2025, os alimentos devem deixar de contribuir para a desaceleração da inflação no próximo ano. O movimento seria puxado principalmente por fatores estruturais ligados ao ciclo do boi, com impactos sobre carnes, leite e derivados, além de produtos semielaborados.
A equipe econômica ainda aponta riscos adicionais para os preços dos alimentos, como a maior probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño na segunda metade de 2026 e o prolongamento do choque nos preços dos fertilizantes, fatores que podem afetar a safra de 2027 e antecipar parte das pressões inflacionárias ainda neste ano.
O cenário internacional ainda deteriorado pela extensão do conflito entre Estados Unidos e Irã combinado a uma inflação ainda persistente fez ainda que a equipe econômica mudasse a sua projeção para a Selic este ano. As expectativas apontam agora para uma taxa de juros em 13% ao ano, ante os 12% anteriores.
Mais projeções para a economia brasileira
Outras projeções revisadas pela SPE foram as de resultado primário e da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), com base nos dados do Prisma Fiscal. A mediana das estimativas para o déficit primário de 2026 caiu de R$ 72,4 bilhões, em janeiro, para R$ 57,8 bilhões em maio. Já a projeção para a DBGG recuou de 83,7% para 83% do PIB no mesmo período.
Segundo a equipe econômica, a melhora consistente das projeções ao longo dos últimos três meses “sugere credibilidade do mercado em relação ao cumprimento da meta fiscal”.
O governo também afirmou que segue monitorando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, buscando garantir que eventuais receitas adicionais contribuam para melhores resultados fiscais e para a suavização de possíveis choques econômicos.
Por fim, as projeções para crescimento da economia foram mantidas em 2,3%, com desaceleração esperada no segundo e terceiro trimestres e uma leve retomada no final do ano. Na visão da equipe econômica, no primeiro trimestre a projeção agregada foi preservada, embora com alterações de composição.
“A indústria passou a contribuir menos, os serviços ganharam participação e a agropecuária manteve sua contribuição em relação à projeção anterior”, avaliam.