OranjeBTC (OBTC3) tem prejuízo de R$ 460 milhões com queda do Bitcoin (BTC) — mas empresa vai às compras mesmo assim
A OranjeBTC (OBTC3) publicou seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2026 (1T26) na noite do último domingo (17), apresentando um prejuízo líquido de R$ 460,7 milhões período, impactada principalmente pelas despesas de R$ 466,8 milhões das reservas em Bitcoin (BTC) da companhia.
Vale destacar que o efeito sem impacto de caixa é essencialmente contábil (isto é, um prejuízo não realizado) que reflete a desvalorização da criptomoeda entre janeiro e março.
Excluindo itens não recorrentes e efeitos contábeis, o resultado gerencial foi negativo em R$ 2,6 milhões, considerado pela empresa como um indicador mais fiel da operação.
O principal ativo da OranjeBTC — sua reserva em Bitcoin — permaneceu praticamente inalterado no trimestre: a companhia encerrou março com 3.723 unidades de BTC em caixa, ante 3.722,3 BTC no fim de 2025.
Essa posição estava avaliada em cerca de R$ 1,33 bilhão ao fim do período, mesmo após a correção do mercado, com o preço médio de aquisição da reserva em torno de R$ 356,1 mil por BTC, de acordo com o release de resultados.
Ainda nesta semana, a OranjeBTC adquiriu mais cinco unidades de Bitcoin, o equivalente a R$ 1,98 milhão, elevando as reservas, até a última sexta-feira (1%) para 3.737 BTC.
“Com a adição destas moedas, seguimos avançando de forma disciplinada em nosso compromisso contínuo com a maximização do número de Bitcoin por ação”, diz o documento.
Recompra de ações da OranjeBTC (OBTC3)
No trimestre, a companhia recomprou 274,2 mil ações, ao preço médio de R$ 7,96, com desembolso total de cerca de R$ 2,2 milhões. Dessa forma, o chamado BTC Yield (retorno sobre reservas de BTC) foi de 0,19% no trimestre, acumulando 2,58% desde o início da estratégia.
Por fim, a empresa encerrou março com R$ 68,5 milhões em caixa e equivalentes, mas com R$ 52,4 milhões em dívida de curto prazo associada, o que resulta em caixa líquido de R$ 16,1 milhões.
Apesar do resultado, vale dizer que a OranjeBTC é uma novata na bolsa brasileira, tendo ingressado no Novo Mercado em outubro de 2025. Assim, a administração projeta alcançar o breakeven operacional até o quarto trimestre de 2026, com expansão de receitas recorrentes e evolução das estratégias de tesouraria.
Expansão dos negócios
Mesmo com o prejuízo, a OranjeBTC avançou em sua estrutura de capital. Após o trimestre, a companhia anunciou uma operação de dívida de até R$ 210 milhões com a Itaú Asset Management, com vencimento em 2031, voltada principalmente à aquisição adicional de bitcoin.
A empresa também ampliou sua base de investidores, encerrando o período com 8.579 acionistas, alta de 65%, e aumento relevante de liquidez das ações.