Amigo, estou aqui: quem é o empresário que comandará comunicação na campanha de Flávio Bolsonaro
Amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o empresário Marcello Lopes vai coordenar a comunicação de sua campanha à Presidência da República. A definição foi feita na semana passada.
Conhecido como Marcelão, ele já integrava a equipe da pré-campanha, ao lado do senador e coordenador-geral, Rogério Marinho (PL-RN), Eduardo Cury (programa de governo), Vicente Santini (agenda), Nelson Santini (logística e tesouraria), Marcos Carvalho (comunicação digital), Fernando Pessoa (redes sociais), Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet (jurídico).
Pessoas próximas à equipe descrevem Lopes como alguém da estrita confiança de Flávio e com influência nas decisões da pré-campanha. Ele tem viajado com o senador, inclusive na ida que fizeram a Israel em janeiro. Procurado pelo Estadão, ele não quis se manifestar.
Lopes deve levar para a campanha um time para reforçar a comunicação, entre eles Toninho Neto, ex-diretor global de criação da Bates Worldwide, Walter Longo, ex-presidente do Grupo Abril, e Alexandre Oltramari, ex-diretor da revista Veja.
O coordenador está em conversas avançadas também com o diretor de jornalismo da Record, Roberto Munhoz, para a área de imprensa. Munhoz esteve no QG da campanha, no Lago Sul de Brasília, na última sexta (8), para uma reunião com Lopes.
Algumas declarações de Flávio mirando recortes nas redes sociais nasceram da equipe de Lopes. Em fevereiro, por exemplo, o pré-candidato começou a comparar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a um “Opala velho” para sugerir que está ultrapassado. Ele também tem usado o termo “produto vencido” para defini-lo.
“Ele (Lula) é aquele produto vencido. Se comparar o Lula a um carro, ele é aquele Opala velhão, câmbio manual, já foi bonito, mas hoje não te leva a lugar nenhum e ainda bebe para caramba”, declarou Flávio durante o evento CEO Conference, do BTG Pactual.
O comentário incomodou Lula, que chegou a rebatê-lo, ao dizer que Flávio “fala isso porque o Opala é o pai dele, que está no desmanche“, durante a participação na abertura da Caravana Federativa do Rio de Janeiro, em Niterói.
O termo “meu amigo Flávio”, que rendeu uma música satírica, e o jingle do “vamos entrar com o pé direito”, lançado neste fim de semana, são outros exemplos de formulações da equipe de Lopes.
O empresário é ex-policial civil e CEO da Cálix Propaganda, fundada em 2003 e que tem como clientes Sebrae do Distrito Federal, Banco de Brasília (BRB), CEB, Caesb, Metrô e outras empresas. Além da sede em Brasília, a agência tem uma filial no Rio de Janeiro.
Flávio tem optado por uma comunicação digital profissionalizada, em contraste com o que fez seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na campanha de 2018. Na época, suas redes digitais eram comandadas pelo filho e então vereador do Rio Carlos Bolsonaro de forma espontânea, informal e por vezes precária.
A comunicação direta, sem retoques e roteiro, ajudou a conquistar o eleitorado que queria algo mais próximo do “brasileiro comum” – e ajudou a vender Bolsonaro como um candidato que lutava sozinho contra o sistema, disposto de poucas armas e recursos.
A equipe da pré-campanha
Rogério Marinho é hoje o homem forte da pré-campanha. Ex-ministro do Desenvolvimento Regional no governo Bolsonaro, ele pretendia se lançar candidato ao governo do Rio Grande do Norte neste ano, mas acatou o pedido para coordenar a campanha bolsonarista para a eleição presidencial de outubro. Ele já havia ficado responsável pela montagem das chapas nas municipais de 2024.
Os irmãos Santini também detêm prestígio com a família Bolsonaro. Vicente trabalhou como assessor especial no gabinete do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e foi secretário nacional da Justiça no Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro.
Fernando Pessoa faz parte do gabinete de Flávio no Senado, enquanto Cury tem coordenado as propostas que o presidenciável divulgará ao público com a consultoria GO Associados, de Gesner Oliveira.
Ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bucchianeri rende para a equipe experiência e proximidade com o Tribunal para fortalecer o pleito de Flávio durante a campanha. Em 2022, aliados de Bolsonaro se queixaram das diversas peças de redes sociais derrubadas por infringirem a legislação eleitoral, a pedido da campanha do PT.
Carvalho, por sua vez, já trabalhou para os dois lados. Esteve tanto na campanha de Lula em 2022 quanto na de Bolsonaro em 2018. Ele é sócio da agência de marketing AM4, que coordenou o marketing eleitoral e a captação financeira para a campanha do PSL naquele ano.