Kepler Weber (KEPL3) vê lucro encolher; Citi e XP apontam 1T26 fraco, mas diferem em recomendação
A Kepler Weber (KEPL3) reportou um lucro líquido de R$ 17,1 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), uma queda de 33% na comparação com o mesmo trimestre de 2025.
Apesar de divergirem na recomendação para a ação, o Citi (preço-alvo de R$ 9 e recomendação neutra) e a XP Investimentos (compra e preço-alvo de R$ 9,50) viram números fracos para a companhia no período.
A receita líquida caiu 11% na comparação anual, para R$ 318 milhões, enquanto o EBITDA recuou 36%, para R$ 34 milhões. A margem EBITDA atingiu 10,6% — retração de 420 pontos-base em relação ao ano anterior — refletindo um ambiente ainda desafiador de preços para silos de grãos no Brasil.
O principal destaque negativo ficou com o segmento Fazendas, pressionado pelo crédito rural restrito. Por outro lado, parte desse impacto foi compensada pela melhora nas operações internacionais e pelo desempenho mais resiliente das divisões de Agronegócio e Reposição & Serviços (R&S).
A XP projeta a manutenção de um cenário operacional desafiador nos próximos trimestres, diante de juros elevados, preços mais fracos de grãos e uma camada adicional de incerteza sobre os custos de insumos após a escalada dos conflitos geopolíticos, o que reduz o apetite de investimento dos produtores.
“Embora reconheçamos a disciplina de custos da Kepler e os esforços de diversificação, vemos visibilidade limitada para uma inflexão de demanda e risco crescente de revisão negativa das estimativas”, afirmaram os analistas da XP Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes.
O 1T26 da Kepler Weber, segundo o Citi
Segundo o Citi, dada a exposição da Kepler a pequenas e médias empresas, tanto o ticker médio quanto os volumes contratados diminuíram, já que os produtores rurais estão mais seletivos diante da menor rentabilidade do setor, reduzindo a disposição para investir em capex para armazenagem de grãos.
A resiliência do segmento de agronegócio, que registrou crescimento de receita de 4% na comparação anual (praticamente em linha com a inflação), embora as margens tenham caído para 16% (-90 pontos-base ano contra ano), foi um dos pontos destacados pelo banco.
“Esse segmento é relativamente mais protegido da desaceleração do setor devido à base de clientes mais capitalizada e com melhor acesso a financiamento. Ainda assim, as negociações ficaram mais difíceis e os clientes mais sensíveis a preço, pressionando a rentabilidade”, apontaram Andre Mazini, Piero Trotta e Kiepher Kennedy.
Apesar de os resultados terem vindo ligeiramente acima das estimativas do Citi, o banco classificou o desempenho do 1T26 como fraco. Além disso, embora a carteira de pedidos tenha avançado em um dígito, a companhia destacou que as condições de mercado seguem restritivas, com clientes adiando decisões de investimento.
O Citi também afirmou que não espera uma recuperação significativa até que haja melhora nas margens dos produtores rurais e um ambiente de crédito mais favorável. Atualmente, KEPL3 negocia a 12,7 vezes o lucro estimado para 2026.