Embraer (EMBJ3) busca recuperação após derrocada das ações; veja o que está no radar
Após uma reação amarga ao balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26), as ações da Embraer (EMBJ3) buscam uma recuperação nesta segunda-feira (11). No radar do mercado está a assinatura de um contrato com a Bharat Forge (BFL) para o fornecimento de materiais brutos forjados para a cadeia de suprimentos global da fabricante brasileira de aeronaves.
De acordo com a Embraer, o acordo é o primeiro contrato desse tipo com um fornecedor indiano e integra a estratégia da companhia de expandir e diversificar a base global de fornecedores, além de fomentar capacidades industriais em mercados considerados chave para crescimento.
“Este contrato reforça nossos planos de criar uma cadeia de suprimentos mais resiliente e competitiva, além de nosso compromisso com o desenvolvimento da indústria aeroespacial indiana”, afirmou o vice-presidente executivo de Suprimentos Globais e Cadeia de Produção da Embraer, Roberto Chaves.
A companhia opera na ponta positiva do Ibovespa (IBOV), em dia negativo para o principal índice da Bolsa brasileira. Por volta de 12h05 (horário de Brasília), as ações EMBJ3 subiam 1,33%, cotadas a R$ 74,76. Acompanhe o tempo real.
Derrocada das ações da Embraer
Na sexta (8), a fabricante brasileira de aeronaves reportou lucro líquido ajustado de R$ 145,4 milhões referente ao primeiro trimestre de 2026 (1T26), excluindo itens extraordinários de -R$ 29,4 milhões referentes aos resultados da Eve.
A cifra representa uma redução no lucro ante os R$ 299,9 milhões registrados no mesmo período de 2025 e R$ 522,7 milhões do trimestre imediatamente anterior.
A empresa encerrou o pregão pós-balanço com queda de 11,45% (R$ 73,78), a maior desvalorização em um único dia em três anos e acumula queda de 15% no acumulado do ano. Entre analistas, a leitura é de um balanço misto no trimestre.
A XP Investimentos destaca o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de US$ 144 milhões, à medida que as iniciativas de nivelamento de produção começam a se materializar na cadência de entregas, embora isso ainda não esteja se traduzindo em margens recorrentes mais altas.
“Olhando à frente, a isenção tarifária nos Estados Unidos remove um vento contrário embutido no guidance de 2026 e, se mantida, cria opcionalidade de upside para margens, em nossa visão”, diz a XP.
Ainda que a casa esteja monitorando a trajetória implícita de margens ao longo do ano, não acreditam que os resultados do 1T26 impliquem mudanças materiais na perspectiva de lucros para o ano de 2026. Dessa maneira, os analistas leram como exagerada a reação negativa das ações na sexta-feira.
Para o BTG Pactual, os resultados do período de janeiro a março deste deixaram uma sensação agridoce.
“A surpresa positiva de 7% na receita líquida (acima das nossas estimativas e do consenso) foi impulsionada principalmente pela divisão de Defesa (enquanto Comercial, Executiva e Serviços ficaram, em grande parte, em linha), com receitas cerca de 40% acima das nossas projeções”, destacam os analistas do banco.
Por outro lado, o desempenho operacional veio mais fraco do que o esperado, com a margem reportada de 6,5% abaixo do 7,4% esperado pelo BTG e dos 8,1% projetado pelo consenso.
“A parte mais curiosa desse resultado foi que o segmento de Defesa apresentou a maior margem entre todas as divisões, o que não é comum”, dizem os analistas.
O BTG destaca que o primeiro trimestre costuma ser o trimestre mais fraco do ano (representou apenas 10% dos resultados no ano passado), por isso já era esperada uma aceleração ao longo dos próximos trimestres, o que explica por que o mercado continua precificando números acima do guidance da companhia para este ano.
“No geral, vimos o 1T como um tropeço leve”, diz o banco, que tem recomendação de compra para EMBJ3.