Telefônica Brasil (VIVT3): O que pesou no balanço do 1T26 para a ação derreter 7%, segundo analistas
As ações da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, lideram as perdas do Ibovespa nesta segunda-feira (11) após os dados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) não serem bem recebidos pelo mercado. Na mínima, a ação chegou a derreter 7,48%, a R$ 35,49.
A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,26 bilhão no período, uma alta de 19,2% na comparação anual, mas abaixo das expectativas do mercado. Já o resultado operacional medido pelo Ebitda ficou em R$ 6,21 bilhões, 8,9% acima do apurado no primeiro trimestre de 2025.
Analistas esperavam lucro líquido de R$1,52 bilhão e Ebitda de R$ 6,44 bilhões para a Vivo no primeiro trimestre, segundo média de previsões compilada pela LSEG.
Por volta das 12h08 (horário de Brasília), a VIVT3 recuava 5,29%, a R$ 36,33. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,93%, aos 182.389,27 pontos.
Os analistas consideraram os resultados mistos, com fatores como lucro por ação e aumento de despesas operacionais pesando na avaliação do 1T26 da Telefônica. Por outro lado, as tendências operacionais de certos segmentos seguiram fortes.
Lucro por ação decepciona
Para a XP Investimentos, os resultados do 1T26 da Telefônica foram mistos, com tendências operacionais sólidas nos segmentos móvel, fibra e B2B, mas lucro abaixo das estimativas da corretora.
A receita total, de R$ 15,5 bilhões, foi impulsionada principalmente por vendas mais fortes de aparelhos, enquanto as receitas de serviços seguiram em linha com o esperado, avalia a XP.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 6,2 bilhões no período e veio abaixo do esperado pela corretora. Já o Ebitda ex-outros, por outro lado, veio em linha, reforçando que as tendências operacionais subjacentes e a disciplina de custos seguem saudáveis, afirma a XP.
Segundo a corretora, o destaque negativo foi o lucro por ação (EPS), que veio abaixo do esperado, principalmente em função de maiores despesas financeiras ligadas à FiBrasil e a passivos de leasing.
“No geral, a Vivo continua sendo uma tese de telecomunicações defensiva e de alta qualidade, apoiada em execução resiliente, convergência, crescimento de serviços digitais e forte remuneração aos acionistas”, afirmam os analistas da XP Bernardo Guttmann e Luis Chagas.
Com essa perspectiva, a XP mantém recomendação de compra para Telefônica Brasil e preço-alvo de R$ 43, o que implica um potencial de valorização de 12% ante o último fechamento.
Avanço de despesas operacionais
O Citi considerou o resultado de VIVT3 como neutro, com Ebitda em linha com a estimativa do banco, ao mesmo tempo em que o fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE, em inglês) recorrente, de R$ 2,1 bilhões, foi considerado sólido pelos analistas do banco.
Na avaliação do banco, a receita ficou, em grande parte, em linha com o crescimento de 6,6% na comparação anual da receita móvel de serviços (MSR), favorecida por um impacto menos negativo do pré-pago, que recuou 1% na mesma base de compração, à medida que a companhia segue avançando em diferentes estratégias de monetização.
O Citi chama a atenção para o avanço das despesas operacionais (opex, em inglês) da Telefônica, que vieram 3% acima das projeções do banco. Isso refletiu as despesas maiores com inadimplência no período e a menor contribuição das vendas de cobre, devido à interrupção temporária das vendas em março.
O Citi segue com recomendação neutra para Telefônica e preço-alvo de R$ 40, o que implica um potencial de valorização de 4,3%.
Pós-pago e fibra seguem positivas
O Banco Safra avalia que o pós-pago e Vivo Fibra Residencial seguem “fazendo o trabalho” contribuindo positivamente para o resultado da Telefônica Brasil no período.
O banco considera ainda que o Ebitda veio mais baixa devido às despesas operacionais recorrentes acima do esperado, explicadas principalmente pelo aumento do custo de produtos vendidos (CPV) acompanhando o crescimento das vendas de aparelhos celular e o salto de 13% na comparação anual na provisão para inadimplência relacionado a um cliente corporativo específico do segmento B2B.
Segundo o Safra, a linha de outras receitas e despesas operacionais melhorou para uma despesa de R$ 19 milhões no período, ante R$ 116 no mesmo período do ano passado, à medida que o crescimento dos custos operacionais foi parcialmente compensado por ganhos de capital relacionados à venda de ativos vinculados à concessão.
O banco acrescenta que as receitas provenientes dessas vendas de ativos atingiram R$ 86 milhões no 1T26, integralmente oriundas de cobre.
A recomendação do Safra segue de compra e preço-alvo de R$ 42, com potencial de valorização de 9% em relação ao último fechamento.