Há salvação para a Oncoclínicas (ONCO3)? Números do 1T25 reforçam preocupação com o financeiro
Os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) da Oncoclínicas (ONCO3) reforçaram a preocupação sobre a delicada situação financeira da companhia. No período, o prejuízo mais que triplicou, com números ainda mais fracos do que o esperado pelo mercado.
Em reação, as ações operam no negativo nesta sexta-feira (15). Por volta de (horário de Brasília) . Acompanhe o tempo real.
Na avaliação do JP Morgan, a frustração do balanço veio por meio de vários fatores. Entre eles, a oferta limitada de medicamentos gerou um impacto negativo de R$ 40 milhões na receita bruta (cerca de 3% do total), agravou a tendência de queda de volumes que a companhia já enfrenta.
Além disso, houve uma reclassificação de provisões entre receita bruta e líquida, que eliminou a flexibilidade discricionária que a gestão anterior tinha sobre esse reconhecimento, com impacto de R$ 119 milhões (aproximadamente 8% da receita bruta).
Ainda, a empresa reconheceu R$ 148 milhões em provisões para risco de perdas de crédito esperadas, relacionadas à Unimed Leste Fluminense.
Com isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado calculado pelo JP Morgan ficou em R$ 68 milhões negativos, bem abaixo da projeção positiva do banco, de R$ 210 milhões, e também do consenso, de R$ 214 milhões.
A leitura do banco é que a continuidade operacional da companhia segue fortemente dependente de apoio externo.
“Em resumo, a expectativa é de reação negativa das ações ao resultado, especialmente porque nenhum novo plano estratégico foi anunciado junto ao balanço. O JP Morgan mantém recomendação Underweight (equivalente à venda) para o papel”, dizem os analistas.
Preocupação persiste em meio à baixa visibilidade
Analistas do BTG Pactual reforçam que a Oncoclínicas reportou um conjunto de resultados muito fraco no primeiro trimestre, com as restrições de liquidez agora afetando diretamente as operações.
“No geral, a Oncoclínicas continua sendo uma tese de investimento desafiadora, considerando sua elevada alavancagem, geração de caixa pressionada e riscos de execução ainda relevantes na estabilização das operações”, dizem os analistas.
Ainda que a gestão esteja buscando alternativas para solucionar a situação financeira da companhia, o banco observa que a visibilidade permanece limitada tanto sobre o ritmo da reestruturação quanto sobre o desfecho final dessas iniciativas.
O BTG tem recomendação neutra para a ação.
Para o Safra, o balanço do primeiro trimestre confirma a posição financeira extremamente complicada que a companhia enfrenta.
Os analistas do banco avaliam que as negociações em andamento com credores para reprogramar a amortização de dívidas financeiras e relacionadas a aquisições permaneceram como principal preocupação no trimestre, diante de uma posição de caixa que caiu de R$ 518 milhões no 4T25 para R$ 12 milhões no 1T26.
banco destaca ainda a dívida líquida somada às obrigações de aquisições totaliza R$ 3,27 bilhões (5,2x dívida líquida/EBITDA) e a totalidade da dívida financeira bruta está classificada no curto prazo.
O consumo de caixa de R$ 394 milhões pressionou a liquidez a um nível crítico, na leitura do Safra. Os analistas ponderam que o caixa, serviço da dívida e liquidez permanecem como as variáveis-chave na tese de investimento.
O banco tem classificação underperform para as ações, equivalente à venda.
Números do 1T26 da Oncoclínicas
A rede de tratamentos oncológicos reportou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões referente ao período de janeiro a março de 2026, mais do que triplicando o prejuízo de R$ 131,9 milhões registrado no mesmo período do ano passado.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões, com margem negativa de 4,2%.
De acordo com a companhia indicador foi diretamente impactado pela desalavancagem operacional do período, ocasionada pelo desabastecimento de medicamentos nas clínicas, cenário que começou a enfrentar durante o começo do mês de março e por provisionamentos contábeis ocorridos durante o trimestre.
A rede de oncologia teve receita líquida de R$ 1,16 bilhão no período de janeiro a março, uma queda de 22,3% em comparação com o mesmo período em 2025. A companhia afirma que a dinâmica está relacionada ao volume de provisões de PCLD (provisão para créditos de liquidação duvidosa) durante o trimestre.