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Isa Energia (ISAE4): Operacional supera expectativas, mas analistas seguem cautelosos

05 maio 2026, 11:41 - atualizado em 05 maio 2026, 11:41

A Isa Energia (ISAE4) apresentou um primeiro trimestre com números operacionais robustos, mas ainda pressionados pelo avanço das despesas financeiras — leitura que levou analistas a manterem uma visão neutra sobre o papel.

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A companhia reportou receita líquida de R$ 1,226 bilhão no 1T26, alta de cerca de 8% na comparação anual, enquanto o Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) somou R$ 1,02 bilhão, avanço de aproximadamente 11%, com margem elevada de 83%. Já o lucro líquido ficou em R$ 358 milhões, crescimento mais modesto, de 6% ano a ano, refletindo o impacto do resultado financeiro mais pesado no período.

Na visão da equipe do BTG Pactual, liderada por Antonio Junqueira, o destaque foi justamente o desempenho operacional acima das expectativas. “As receitas vieram 5% acima do esperado e o Ebitda superou nossas estimativas em 8%, impulsionado pela energização parcial de projetos e controle de custos”, afirmaram.

Segundo o banco, a entrada em operação de ativos como Piraquê, além de reforços e melhorias na rede, ajudou a elevar a Receita Anual Permitida (RAP) e sustentar o crescimento. A margem Ebitda também mostrou expansão, beneficiada pelo bom controle de despesas.

A XP Investimentos, por sua vez, destaca que o resultado veio praticamente em linha, com leve surpresa positiva no Ebitda. Para a equipe liderada por Raul Cavendish, o desempenho foi influenciado por efeitos pontuais na receita, como ajustes de parcelas regulatórias (PA e PV), que adicionaram cerca de R$ 21 milhões no trimestre.

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“Esperamos uma reação neutra do mercado aos números reportados”, afirmam os analistas, ressaltando que esses impactos não devem se repetir ao longo do ano, limitando revisões mais relevantes nas estimativas.

Apesar disso, o resultado financeiro foi o principal freio do trimestre. As despesas líquidas somaram R$ 483 milhões, acima das projeções, refletindo o maior nível de endividamento e o ambiente de juros elevados.

“O resultado foi parcialmente compensado por despesas financeiras acima do esperado, impulsionadas por uma maior posição de dívida líquida”, afirmaram os analistas do BTG Pactual, em relatório.

Na mesma linha, a XP Investimentos destacou que o avanço do financeiro também limitou o resultado final. “O lucro líquido veio acima das nossas estimativas, refletindo uma menor alíquota efetiva de impostos, parcialmente compensada por maiores despesas financeiras líquidas”, escreveram os analistas.

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Outro ponto de atenção, para analistas, segue sendo a alavancagem. A relação dívida líquida/Ebitda subiu para 3,72 vezes no trimestre, ante 3,63 vezes no final de 2025, movimento acompanhado de aumento da dívida total para financiar novos projetos.

Ainda assim, há reconhecimento de disciplina operacional. Os custos gerenciáveis cresceram apenas 1,1% na base anual, indicando controle mesmo com o avanço dos investimentos e maior atividade nos projetos.

No pano de fundo, os analistas seguem atentos a possíveis catalisadores. A XP destaca que a disputa com a SEFAZ pode destravar valor no curto prazo, enquanto decisões da companhia em leilões de transmissão também devem ser monitoradas, especialmente em relação à disciplina de capital.

No fim, o trimestre reforça o perfil típico das transmissoras: receita previsível e crescimento sustentado por novos ativos, mas com o resultado final ainda sensível ao custo da dívida.

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O BTG Pactual mantém recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 28,50. Já a XP também recomenda neutro, com preço-alvo de R$ 25,90, avaliando que o papel negocia em níveis considerados equilibrados diante dos riscos atuais.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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