Small cap da bolsa vê resultado saltar 325,6% e agrada analistas; hora de comprar?
Os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) da small cap Pague Menos (PGMN3) agradaram analistas, embora as ações da companhia oscilem na bolsa no pregão desta terça-feira (5).
A rede de farmácias reportou lucro líquido ajustado de R$ 55,6 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), uma alta de 325,6% ante os R$ 13,1 milhões reportados no mesmo período do ano passado, mostra relatório de resultados divulgado na segunda-feira (4).
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado avançou 36,1%, para R$ 204,7 milhões. A margem Ebitda ajustada ficou em 4,9%, um avanço de 0,8 ponto percentual na comparação anual.
Por volta de 12h (horário de Brasília), as ações PGMN3 recuavam 0,37%, cotadas a R$ 5,37. Na máxima do dia, no entanto, o papel chegou a subir 5,75%. Acompanhe o tempo real.
Na leitura do BTG Pactual, os números vieram acima das expectativas para o período, com crescimento sólido de vendas nas mesmas lojas de 13% na comparação anual, ainda que em desaceleração frente aos trimestres anteriores, sustentado pelo bom desempenho de genéricos e medicamentos de marca.
Apesar do fluxo de caixa livre (FCF) fraco no período, os resultados do primeiro trimestre ainda sustentam as vantagens estruturais que o banco enxerga na tese da Pague Menos:
- Sólido momento de lucros, impulsionado por uma combinação de crescimento de receita em dois dígitos e expansão de margens;
- Melhorias na produtividade das lojas; e
- Maior exposição aos GLP-1 (medicamentos usados no tratamento de diabetes e obesidade, como Ozempic e Wegovy), que continuam sendo uma importante opcionalidade.
“Com a ação sendo negociada a um atraente 10 vezes preço sobre o lucro para 2026 (e crescimento do lucro por ação de 32% entre 2025-28), seguimos com recomendação de compra”, dizem os analistas do banco.
Hora de comprar Pague Menos?
Para o Bradesco BBI, os números do primeiro trimestre foram, em geral, neutros. Apesar da desaceleração do crescimento da receita, a avaliação é que a Pague Menos mantém uma trajetória operacional sólida, com crescimento ainda robusto de cerca de 14% em base anual.
“O desempenho segue sustentado por ganhos de participação de mercado em GLP-1, genéricos e HPC [produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos], avanço do canal digital — que atingiu 22,2% das vendas totais — e evolução consistente das vendas mesmas lojas nas lojas maduras”, dizem os analistas.
A expansão da margem bruta, em um contexto de mix mais favorável e melhores condições comerciais, reforça a resiliência da rentabilidade, mesmo com algum impacto de itens não recorrentes no lucro líquido.
O BBI mantém a recomendação de compra para a Pague Menos, apoiada principalmente no valuation atrativo — com potencial de valorização de 48% — e no momento positivo de resultados, especialmente quando comparado a pares do setor, uma vez que a ação negocia a múltiplos significativamente descontados em relação a concorrentes relevantes
A XP Investimentos destaca que a Pague Menos entregou resultados sólidos no primeiro trimestre, com o crescimento da receita permanecendo em patamares de dois dígitos, ainda que desacelerando em função de comparáveis difíceis, e expansão de margem impulsionada por melhores condições comerciais e um mix de categorias mais favorável.
“Acreditamos que a desaceleração na comparação trimestral já era esperada, em meio à disrupção de oferta de GLP-1 e à normalização da atividade promocional da Black Friday”, dizem os analistas.
No entanto, a XP acredita que a dinâmica de capital de giro (WK) pode ser uma fonte de desconforto para alguns investidores, embora vejam que a estabilização do novo centro de distribuição da Paraíba e o maior giro de estoques devem ajudar a melhorar o ciclo.
“Em rentabilidade, SG&A deve enfrentar uma base de comparação mais normalizada nos próximos trimestres, uma vez que os reforços de pessoal foram concluídos no 2T25, o que pode abrir espaço para a diluição das despesas de vendas à frente”, pondera a XP.