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Ambev (ABEV3) dispara 15% e lidera altas do Ibovespa após balanço do 1T26; confira o que dizem os analistas

05 maio 2026, 12:14 - atualizado em 05 maio 2026, 12:14
ambev repercute resultados do 1t24 btg genial
(Imagem: Kaype Abreu/Money Times)

As ações da Ambev chegaram a saltar, na máxima, 15,30% (R$ 15,65) nesta terça-feira (5), após os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) da companhia surpreenderem positivamente o mercado. O papel lidera a ponta positiva do Ibovespa e da B3.

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No período, o lucro líquido foi de R$ 3,89 bilhões, um avanço de 2,1% na comparação anual. A receita líquida também cresceu organicamente 8,1%, a R$ 22,46 bilhões, enquanto o volume avançou 0,1%.

O resultado operacional, medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, foi de R$ 7,56 bilhões, uma alta de 1,5% ante o último trimestre de 2025. A margem passou de 33,1% para 33,6%.

Segundo os analistas, o desempenho da Cerveja Brasil foi o grande destaque do resultado do primeiro trimestre de 2026, enquanto os segmentos de Canadá e América do Sul seguem como desafios da Ambev.

Ainda assim, eles consideram que o resultado do 1T26 pode ajudar a ABEV3, além do anúncio do segundo pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas referentes a 2025, no valor de R$ 0,0642 por ação e uma distribuição de 2026 de R$ 0,037 por ação, a ser paga em 31 de dezembro.

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Por volta das 11h46 (horário de Brasília), a ação da Ambev avançava 15,03%, a R$ 16,61. No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,45%, aos 186.527,83 pontos.



ABEV3 pode se beneficiar no curto prazo

O Banco Safra avalia que, apesar do resultado otimista da Ambev mo primeiro trimestre de 2026, os desafios estruturais da indústria no longo prazo seguem inalterados. O momento positivo, no entanto, pode ajudar o desempenho da ação no curto prazo.

“Cerveja Brasil foi a principal surpresa positiva, com crescimento de volume de 1,2% na comparação anual, superando a Heineken e a indústria como um todo. As demais divisões também surpreenderam positivamente (exceto América Central e Caribe) no nível de Ebitda, apesar de volumes mais fracos, contribuindo para um resultado sólido no trimestre”, afirma o banco.

No ano, o resultado operacional da empresa cresceu 3% no ano contra ano, sustentado pela expansão da margem bruta e menores despesas de vendas, gerais e administrativas (SG&A).

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Essa surpresa, contudo, não deve se repetir nos próximos trimestres devido à Copa do Mundo e pagamento de bônus, considera o Safra.

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O resultado financeiro líquido piorou 23% YoY, impulsionado por maiores efeitos de câmbio (FX) e marcação a mercado (MTM), mas o lucro líquido ajustado ainda veio 4% acima do esperado e 1% acima do consenso.

O Safra manteve recomendação de venda para o papel, por questões de valuation baixo em relação aos pares, com preço-alvo de R$ 16, o que implica em um potencial de valorização de 11% ante o último fechamento (4).

Impulso de marcas premium e execução comercial

O JP Morgan avalia que as vendas da Cerveja Brasil foram impulsionadas por marcas premium e forte execução comercial, com o portfólio core e value apresentando queda de um dígito, devido à maior senbilidade às condições climáticas e ao consumo fora de casa.

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Ainda assim, o portfólio seguiu com melhora sequencial, ganhando participação de mercado em relação ao ano passado, diz o banco.

Na avaliação do JP Morgan, as estimativas para o Ebitda consolidado devem ser revisadas para cima pelo mercado após o resultado acima do esperado, dado o forte crescimento orgânico de mais de 10% na comparação anual, a expansão da margem, bem como a projeção positiva para o custo dos produtos vendidos (CPV) por hectolitro da Cerveja Brasil.

A manutenção da projeção de custos da empresa e o contínuo impulso comercial corroboram essa visão, afirma.

“Os resultados demonstram a execução eficaz das estratégias de crescimento e disciplina de custos,
o que deve ser bem recebido pelo mercado”, considera o JP Morgan.

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O banco segue com recomedação neutra para ABEV3.

Ventos favoráveis no radar

Para a XP Investimentos, a Cervejaria Brasil contribuiu para o resultado sólido da Ambev, especialmente em base relativa — mais do que compensando performances mais fracas nas demais operações.

Além disso, a corretora destaca como pontos positivos que a divisão de não alcoólicos da companhia (NAB) entregou margens significativamente acima do esperado, e o segmento de América Central e Caribe também apresentou crescimento orgânico de 7,7% em volumes na base anual e de 13,6% em Ebitda.

“Mesmo nas operações que ainda enfrentam ambientes de indústria desafiadores — notadamente Canadá e América do Sul — vemos pontos positivos”, afirma a XP, que acrescenta que a companhia conseguiu expandir margens nessas áreas e pode contar com a Copa do Mundo como vento favorável no curto prazo.

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Gostinho de velhos tempos

O BTG Pactual considera que o destaque da divisão de Cerveja Brasil nos resultados da Ambev trouxe um “gostinho de velhos tempos”, reforçando que o segmento foi responsável por 80% da surpresa positiva do Ebitda nos primeiros três meses do ano.

“O sell-in (vendas para distribuidores) provavelmente foi mais forte que o sell-out (vendas ao consumidor final, que acreditamos ter caído levemente), mas isso não muda um ponto-chave: isso prepara o terreno para um 2026 potencialmente mais forte em volumes, com comparações mais fáceis e efeitos positivos de calendário”, avalia o banco.

Além disso, segundo o BTG, há a percepção forte de que a execução, junto com um portfólio mais robusto de produtos premium construído ao longo dos anos, está finalmente permitindo que a Ambev enfrente melhor a concorrência.

O banco destaca que a combinação volume e preço foi a mais forte dos últimos anos no período.

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“A geração de caixa também foi forte para um primeiro trimestre, e acreditamos que a Ambev pode estar acelerando a remuneração aos acionistas acima de 100% do lucro no ano”, diz.

O BTG manteve a recomendação neutra para a Ambev, com preço-alvo de R$ 17, o que implica em um potencial de valorização de 17,7% na comparação com o fechamento anterior.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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